PUBLICIDADE

Funcionárias são presas após morte de pecuarista na Capital

Campo Grande News em 29 de Julho de 2022

Reprodução/Redes Sociais

Andreia Aquino Flores, de 38 anos, que morreu durante assalto

Mãe e filha, funcionárias de Andreia Aquino Flores, 38 anos, pecuarista assassinada na tarde de quinta-feira (28), em condomínio do Bairro Chácara Cachoeira, em Campo Grande, estão presas acusadas de envolvimento no crime. Elas ocupam celas da Derf (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos). Inicialmente o caso é apurado como latrocínio.

Informações levantadas pela reportagem são de que as equipes da delegacia especializada, comandada pelo delegado Francis Flávio Tadano Araújo, estão em diligências para localizar os demais envolvidos no crime.

Jessica Neves Antunes e a mãe, Lucimara Rosa Neves, seguem presas.

Dívida

A reportagem fez busca e, em nome de Lucimara, encontrou ação de cobrança de dívida que começou em R$ 1,373 mil. Hoje, segundo dados do TJ-MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) está em R$ 7,327 mil, com pedido de penhora on-line.

A ação foi protocolada em novembro de 2019 por empresa de roupas e acessórios e refere-se a cobrança de notas promissórias no valor de R$ 1.590,80 da compra e venda de produtos. Na ocasião, houve pagamento de duas notas, totalizando R$ 1 mil. 

A dívida, considerados juros listados na ação, seria de R$ 1.373,92. No dia 28 de janeiro de 2020, Lucimara foi julgada na 1ª Vara do Juizado Especial Central e condenada à revelia a pagar R$ 1.067,91.

No decorrer do tempo, a dívida foi recalculada e a empresa pedia penhora dos bens, o que foi negado pela Justiça. No dia 12 de agosto de 2021, foi protocolado acordo, com pagamento inicial de R$ 893 para liberação do alvará eletrônico (crédito bancário) e parcelamento de saldo de R$ 2,11 mil em 5 parcelas iguais e sucessivas de R$ 442.

Em fevereiro de 2022, Lucimara deixou de cumprir o acordo, sendo novamente pedida a penhora on-line, ou seja, o bloqueio de valores em conta corrente. Desta vez, a Justiça deferiu a medida e o recálculo da conta, hoje, de R$ 7.327,67.

Versão confusa

A versão apresentada por mãe e filha são de que foram ao atacadista da Rua Marquês de Lavradio no Jeep Compass, pertencente à vítima, onde fizeram compras. Ao deixarem o local, por volta de 11h20, foram surpreendidas por dois homens armados com faca e revólver, que estavam dentro do carro. Elas afirmaram que não se lembravam se o veículo foi travado. 

Na versão das funcionárias, elas foram ameaçadas pelos bandidos e obrigadas a seguir até o condomínio, a cerca de 1,2 quilômetro do mercado. Já no imóvel da pecuarista, elas dizem que foram amarradas em um dos quartos da casa, enquanto os supostos ladrões abordaram a dona da residência e a levaram para um outro quarto.

As mulheres afirmaram que não sabiam detalhar o que ocorreu durante o tempo em que teriam ficado em cárcere. A funcionária mais antiga disse que depois de alguns minutos foi obrigada pelos autores a deixar o condomínio com o Jeep e seguir até o Bairro Tiradentes, onde foi deixada pelos ladrões.

A filha dela, Jessica, que ficou na casa, relatou que conseguiu se soltar mas, ao chegar ao quarto da patroa, Andréia estava morta, deitada na cama. Ela contou que saiu no pátio do condomínio e encontrou um militar que mora no local, que acionou a Polícia. Toda a ação teria durado cerca de 40 minutos, com o óbito atestado às 13h. 

No meio da tarde, equipe do Garras levou uma das funcionárias de volta ao atacadista, mas durante todo o tempo em que os policiais ficaram no mercado, a mulher continuou dentro da viatura. As equipes também percorreram imóveis vizinhos, a procura de imagens de circuitos de segurança.

Causa da morte

A suspeita é que a causa da morte tenha sido asfixia, embora a vítima estivesse bastante machucada, com hematomas no rosto, perto dos olhos e testa. A polícia investiga se o sufocamento se deu por causa da mordaça usada para calar a mulher ou se ela foi asfixiada propositalmente.

Tradição

Andreia Aquino Flores vem de família tradicional de Ponta Porã. Filha do casal de produtores rurais Ocídio Pavão Flores e Joana Aquino Flores, donos de vasto patrimônio, incluindo imóveis rurais e urbanos, gados, maquinários e empreendimentos.

Investigada

Andréia foi investigada em inquérito de atentado a tiros contra o ex-marido, um empresário de 48 anos. Ele foi vítima de tentativa de homicídio, na tarde do dia 18 de janeiro deste ano, em Ponta Porã.

O velório da pecuarista acontece na manhã desta sexta-feira (29), no Cemitério Jardim das Palmeiras, na Capital. Há segurança no local e a família preferiu não falar com a imprensa. O sepultamento será no fim da tarde de hoje. (Colaborou Cleber Gellio).

PUBLICIDADE