PUBLICIDADE

Marquês de Sapucaí levantou a bandeira contra o preconceito e discriminação

Leonardo Cabral em 23 de Abril de 2022

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Comissão de frente representou príncipes africanos

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Independente Marquês de Sapucaí levantou em seu desfile a bandeira contra o preconceito e a discriminação, dividida em três setores. A agremiação abriu a última noite de desfiles no Carnaval de Corumbá, neste sábado, 23 de abril.

No primeiro setor, foi apresentada a miscigenação brasileira, mistura de raças, povos e a cultura, incluindo os nordestinos, com a comissão de frente, trazendo os príncipes africanos, que apresentaram coreografias em formações triangulares, circulares e em linhas retas, com predominância em dança de rituais africanos. Eles fizeram uso do atabaque, instrumento do ritual das religiões matrizes africana.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Mestre-sala Eduardo e porta-bandeira Ketilyn, vieram com a fantasia de rei Galanga e rainha Djalô

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Eduardo Miranda e Ketilyn Valdonado Balejo, veio com a fantasia de rei Galanga e rainha Djalô, que eram reis de congo e foram capturados pelos portugueses, mas apenas o rei chegou ao Brasil escravizado, já que a rainha, foi jogada ao mar, por 'não ter valor'. Galanga, assim, que chegou, juntou migalhas e migalhas em pó de ouro em seus cabelos, comprou sua liberdade, ajudou diversos escravos a conseguir a liberdade, ficando assim conhecido como Chico Rei.

O primeiro carro alegórico, mostrou a miscigenação do povo brasileiro (brancos, negros e índios) onde não há lugar para o preconceito racial.

No segundo setor, a escola apresentou o preconceito que espalhou-se pelo mundo no decorrer do tempo, com a ala ciganos chegando até a ala indianos. Com os ciganos, a agremiação mostra que durante muito tempo eles foram perseguidos por causa do preconceito, hoje ainda sofrem por falta de conhecimento da população.

Além disso, passou pelos gladiadores e bruxas. Retratou também o preconceito com os idosos, que para muitos, não têm valores, sendo que dois valores importantes são o conhecimento e sabedoria. Outro público foram as pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), pois muitos ainda pensam que são incapazes e totalmente dependentes de sua família.

O público LGBTQIA+ também veio levantando a bandeira contra a discriminação e o preconceito por orientação sexual e/ou identidade de gênero foi enquadrada na lei do racismo em 2019 (Lei 7.716/1989, e, por isso, é considerada crime.

Já no terceiro setor, a escola, como propôs, apresentou a cura para o preconceito. A agremiação mostrou  que há sim, a cura para esse mal que assola o mundo inteiro, reforçando que é o amor ao próximo, a paz entre os povos, a educação e ensinamentos para as crianças, afinal ninguém nasce preconceituoso.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Rainha Elenina de Paula e a bateria comandada pelo mestre Mário Luciano

E, através desses sentimentos, a agremiação retratou o amor ao próximo, representada pela bateria, com 55 componentes, sob o comando do mestre Mário Luciano Gutierres Júnior, que fez o uso do recuo na rua Quinze de Novembro com a Avenida General Rondon. 

À frente da bateria, a rainha Elenina de Paula, esbanjou muita alegria, samba e simpatia na sua passagem pela passarela do samba. 

Ao todo, a escola trouxe para a Avenida 550 componentes, divididos em 15 alas.

Além do título oficial, a Marquês de Sapucaí é uma das dez escolas de samba de Corumbá que concorrem à 12ª edição do Esplendor do Samba, premiação paralela realizada pelo jornal Diário Corumbaense para valorizar aqueles que fazem o show no carnaval do município pantaneiro.

PUBLICIDADE