PUBLICIDADE

Padre Ernesto dedicou sua vida aos menos favorecidos; conheça sua trajetória

Lívia Gaertner em 13 de Março de 2013

No dia 15 de outubro de 1919, nascia em Dornbeck, província de Gorízia, então território esloveno, Ernesto Saksida. Ele comporia uma família de onze irmãos, filhos de Josef Saksida e Katerine Vodopivec e, logo aos oito anos, de idade, foi-lhe proposto pelo pai seguir o ofício da vida sagrada. Dessa forma, aos nove anos, foi encaminhado para o internato onde obteve a preparação para admissão no Ginásio. No ano seguinte, com então dez anos, ingressou no Seminário Menor Diocesano para cursar a 5ª série, porém a instituição alegou "falta de idade", razão que o devolveu ao convívio do ambiente familiar. Esse episódio, ao contrário do que possa parecer, não o desestimulou. O jovem obstinado em seguir os conselhos paternos, entrou com onze anos num colégio salesiano onde passaria outros quatro, distante de casa, em preparação para a carreira missionária.

Quando completou quinze anos de idade, em 1934, tomou uma decisão que surpreendeu toda sua família: solicitou a partida para as missões no Brasil, assim como seus colegas missionários a fizeram anteriormente - uma atitude que o forçou a permanecer trinta anos afastado de seus parentes. No novo país (Brasil), continuou os estudos que foram concluídos, ora em Cuiabá (capital do antigo estado integrado de Mato Grosso), ora em São Paulo. Durante esse período, em 1940, por exigência de regulamento curricular, interrompeu os estudos filosóficos sendo enviado a Corumbá para o exercício do magistério no Colégio Salesiano de Santa Teresa. A figura do jovem missionário agregou rapidamente popularidade e simpatia com suas aulas de Canto Orfeônico. Além do ensino vocal, ele desenvolveu atividades esportivas e organizou festividades por três anos.

Fotos: Divulgação

Por dois anos, 1940 a 1942, manteve contato com os moradores de áreas periféricas de Corumbá, sobretudo os dos bairros Sagrado e Populares Nova.

Em 1947, de volta a cidade de São Paulo, foi ordenado Sacerdote Salesiano, no Santuário Coração de Jesus, função que o determinou a servir no Ateneu Dom Bosco, em Goiânia - GO. Depois de ter concluído os estudos teológicos, no ano de 1950, retornou a Corumbá, como sacerdote e renomado educador. A partir desta data, permaneceu no município como símbolo e exemplo de amor ao próximo. Ainda em 1950, fundou a União dos Ex-Alunos Salesianos de Dom Bosco com o objetivo de congregar em uma organização ex-alunos que, através da educação recebida pelos modelos salesianos, pudessem contribuir para a formação de uma sociedade mais justa em favor da classe menos favorecida.

No ano de 1951, o professor Alexandre Aurélio de Castro propôs aos Estatutos da União dos Ex-Alunos, através do seu Departamento de Assistência Social, a criação de uma escola, na qual se pudesse congregar instrução, educação e assistência como base para uma integração sócio-econômica de crianças pobres na sociedade. No mesmo ano, aconteceram realizações tais como: a criação das bolsas de estudo nos 1° e 2° graus com o intuito de oportunizar novos caminhos para crianças e jovens necessitados; nascimento do jornal "União", que veiculava as atividades desenvolvidas pela União dos Ex-Alunos de Dom Bosco e o lançamento da pedra fundamental da Sede Social, com a presença de Dom Francisco de Aquino Corrêa, membro da Academia Brasileira de Letras e maior orador sacro do país.

Apostando no esporte como uma maneira para acolher a infância e juventude sem perspectivas, implantou, em 1953, o Centro Esportivo Dom Bosco.

Depois de seis anos de lançamento da pedra fundamental, em 1957, inaugurou a Sede Social, na oportunidade, esteve presente o Reitor Mor da Congregação Salesiana, Dom Renato Ziggiotti.   Permanecendo neste mesmo ano, surgiu o jornal "Folha da Tarde" fundado por integrantes da União de Ex-Alunos de Dom Bosco e, a distribuição do impresso era destinada aos jovens carentes da cidade organizados na Associação dos Jornaleiros de Dom Bosco. Posteriormente, com a ideia de fornecer uma ocupação ao grande número de menores que perambulavam pelo centro da cidade, criou a Associação dos Pequenos Engraxates.

Vendo que as duas associações criadas ainda não contemplavam a demanda de crianças que precisavam de um amparo no município, buscou a ajuda da sociedade corumbaense para a criação da Legião Mato-grossense dos Amigos da Criança (LEMAC), em 1958. Nesse mesmo ano, o Governo do Estado de Mato Grosso concedeu oficialmente a denominação de "Escola Rural Mista Aurélio de Castro" à proposta apresentada aos Estatutos da União de Ex-alunos em 1951.

Em 06/01/1959, Padre Ernesto iníciou um ciclo de visitas a cerca de 900 barracos no bairro Cidade Jardim, hoje bairro Dom Bosco. Ele chegava ao local sempre no último período do dia, que era o que lhe restava depois das obrigações docentes, trazia na sua companhia uma vela para iluminar os becos e interior das humildes moradas com as quais ia tomando contato. As visitas serviram para ele descobrir que além das crianças, existia também uma população carente e necessitada de amparo. Essas pessoas enxergavam na figura do padre um amigo capaz de transformar a difícil situação em que elas se encontravam, tanto que uma moradora, dona Catarina Anastácio da Cruz, se propôs a ceder o seu próprio barraco para a implantação de uma escola no bairro reconhecido como o mais violento da época.

O desejo de dona Catarina tornou-se realidade depois de dois anos de seu pedido emocionado. Estava implantada no dia 03/04/1961, a escola que iria atender 72 crianças em acomodações improvisadas dentro do seu barraco. O trabalho agregou rapidamente novas conquistas, e após sete meses do início das aulas, foi lançada a pedra fundamental da Escola Profissional Alexandre de Castro, um projeto que previa o que é hoje a Cidade Dom Bosco. Para terminar a obra era preciso mais recursos que, o padre Ernesto não vendo como conseguí-los em Corumbá, iniciou uma persistente peregrinação pelo Brasil à procura de colaboradores para a conclusão do prédio. Sendo assim, ele passou quatro anos (1961-1965) divulgando o projeto em várias publicações e programas de TV, mas o resultado não foi o esperado.

Com a implantação do período noturno para atender a população jovem, em 1963, a escola já contava com 360 alunos. A solução para comportá-los foi ocupar mais dois barracos e a varanda da sede da escola ainda em construção. Nessa conjuntura, foi instalado o Posto Médico Municipal, que anos depois, em 1980, se tornaria o Posto Médico Dom Bosco.

No início de 1964, o departamento de Assistência Social da União dos Ex-alunos de Dom Bosco foi repassado à Congregação Salesiana devido aos altos encargos. Dessa maneira, surgiu a campanha Sino da Caridade realizada até os dias atuais durante a época de Natal, para arrecadar alimentos às famílias necessitadas. Naquele mesmo ano, o Secretário de Educação do Estado visitou a construção da escola e, devido à quantidade de crianças atendidas e as condições legais regularizadas, mesmo sem estar concluída, a elevou ao grau de Grupo Escolar Alexandre de Castro.

No ano que se seguiu, 1965, padre Ernesto resolveu partir para o exterior, a intenção era divulgar o que vinha sendo feito no Brasil e sensibilizar pessoas que pudessem colaborar com o seu trabalho. Foi assim, que nasceu uma nova ideia: Adoção à Distância, que até hoje atende centenas de crianças afilhadas que recebem carinho das "madrinhas" do exterior e, em contrapartida, os afilhados as retribuem. Ainda, reativou o grupamento de "Patrulheiros Mirins", readaptando-o.

Em 1968, a escola se elevou a ginásio estadual. Dois anos depois, em 1970, chegou da Itália, um grupo de jovens voluntários que, durante um período de três meses, a pedido do padre Ernesto, fizeram a construção do prédio da escola Dom Bosco, permanecendo alojados no barraco da fundação. Naquele ano, padre Ernesto participou da Comissão Julgadora do 1º Festival da Música Popular de Corumbá como presidente da mesma.

A Casa do Pequeno Trabalhador surgiu em 1971, e nela, meninos de rua se transformaram em jornaleiros, engraxates, patrulheiros e vendedores ambulantes. No local, ainda se desenvolveu o ensinamento de confecção de sapatos em couro. Numa tentativa de agregar entidades filantrópicas não-governamentais de Corumbá e Ladário, padre Ernesto, lançou a Central Social que se propunha, através de um planejamento participativo, aplicar as verbas e colaborações recebidas.

O ano de 1972 reservava uma nova conquista, a Escola Agrícola Dom Bosco, erguida às margens do rio Paraguai. A humilde construção em madeira abrigava crianças da localidade para a aprendizagem da colheita de alimentos e criação de animais. Enquanto isso, a Cidade Dom Bosco ia se solidificando com a implantação de cursos diversos como o de Arte e Culinária, em parceria com o Sesi, além da contratação de vários meninos para atuarem como office-boys nos Correios.

As primeiras máquinas para a fabricação de telas de arames por jovens foram adquiridas em 1973. No mesmo ano, padre Ernesto assumiu a presidência da Central Social e recebeu a colaboração do professor Carlos Rettore enviado pela Congregação Salesiana. O trabalho desenvolvido ganhava notoriedade ocasionando a vinda de uma companhia de filmagem italiana para registrar, por meio de um documentário, toda a obra desenvolvida para posterior exibição em terras européias. A denominação Escola Estadual de 1º Grau "Dom Bosco" surgiu, finalmente, com a integração da Escola Alexandre de Castro ao Ginásio Dom Bosco. Foi neste ano, que padre Ernesto pode oficialmente ser chamado de cidadão mato-grossense com o recebimento do documento de naturalização vindo, da então capital, Cuiabá. Criou-se, também a Associação dos Ex-alunos de Dom Bosco com a reunião dos integrantes da turma da oitava série que se formaram no mesmo ano. Na área cultural, nasceu o Grêmio Artístico Dom Bosco e inaugurou-se o Cine Teatro Dom Bosco.

A obra em contínuo desenvolvimento despertou o interesse de outros países. Sendo assim, em 1974, o estudioso argentino, José Zavodnik, e o coordenador dos benfeitores espanhóis, Mariano Bonilla, resolveram visitar as instalações da instituição. No mês de abril daquele ano, um triste episódio: a Escola Agrícola Dom Bosco ficou praticamente destruída em razão das enchentes; as plantações sucumbiram à força das águas.

Em 1975, surgiram o "Grêmio Educativo"; o "Clube Jovem", voltados aos adolescentes e o "Clubinho da Amizade", para atender as crianças. Surgiu ainda o Conselho dos Professores. A primeira Capela e o Salão de Jogos também ficaram concluídos neste ano, ao lado direito do pavilhão da escola.

As visitas continuavam, fossem para conhecer "in loco" o trabalho, como fizeram a Comitiva do Governador do Estado de Mato Grosso, José Garcia Neto, e um dos Superiores Maiores da Congregação Salesiana, Dom João Vechi, ou como forma de colaboração, como a "Equipe Missionária" que permaneceu vinte e oito dias dando suporte aos trabalhos realizados.

A necessidade de atualizar os conhecimentos fez o padre Ernesto seguir, em 1976, para o Instituto Teológico Pio XI onde participou de um Curso de Reciclagem Teológica e, depois, para Campo Grande, onde na Faculdade Dom Bosco pode reavaliar seu curso de Pedagogia. O padre também vai a Cuiabá, mas desta vez, para reunir-se com o Governador do Estado de Mato Grosso e seu Secretariado afim da criação do 2º Grau na Escola Dom Bosco. A Associação de Pais e Mestres promoveu várias reuniões, elegendo assim, sua primeira diretoria. Ele ainda fundou a primeira associação de moradores de bairro no recém-formado estado de Mato Grosso do Sul: A Associação de Moradores e Amigos do Bairro Dom Bosco.

Em 1978, os Canarinhos de Dom Bosco, coral composto por crianças com idade abaixo dos 13 anos, fez sua primeira apresentação. A escola ganhou do Governador do Estado, Dr. Cássio Leite de Barros, o Laboratório de Eletricidade onde seria ministrado o curso de auxiliar técnico na área. Em razão da comemoração do bicentenário de Corumbá e Ladário, a Associação Comercial de Corumbá outorgou ao padre Ernesto o Diploma de Consagração Pública com o título de "O Educador"; reconhecimento da classe empresarial.

Já, em 1979, finalmente é concedida a implantação do 2º grau, através de convênio com o Governo Estadual. Sendo assim, a escola somava 2.400 alunos matriculados nos 1º e 2º graus, sem se esquecer dos cursos profissionalizantes de auxiliar técnico em eletricidade e auxiliar de escritório. A "Associação Brasileira de Assistência" também assinou convênio com a Escola Dom Bosco neste mesmo ano. O prefeito da Cidade Dom Bosco, aluno Roberto Marinho, assumiu por um dia o cargo de prefeito-mirim de Corumbá tendo como lugar de expediente o gabinete do prefeito municipal,  Armando Anache. O jovem, ao final de seu curto mandato, entregou ao prefeito um documento contendo sugestões e solicitações das escolas da cidade. Ainda em parceria com a Prefeitura de Corumbá, foram constituídos os Vigilantes Mirins, que tinham como função zelar pela limpeza da cidade. Na Escola Dom Bosco, foi inserida mais uma conquista: a Escola de Ballet sob a coordenação da professora Sônia Ruas Rolon.

Padre Ernesto tornou-se Conselheiro Regional de Mato Grosso do Sul por nomeação presidencial de Brasília em 1980. Foram impressos os primeiros exemplares do Voz de Dom Bosco, um informativo quinzenal sobre a Cidade Dom Bosco.

No ano de 1981, percebeu-se maior preocupação do padre Ernesto em relação às comunidades dos bairros da cidade. Neste ano, ele realizou várias reuniões para agregar os moradores por meio das discussões dos problemas que os afligiam, bem como estabelecer lideranças. Inclusive, participou de algumas dessas reuniões uma Comissão enviada pela Secretaria de Educação e Cultura do Estado e FASUL (Fundo de Assistência Social Mato-grossense). A formação de grupos organizados também floresceu no âmbito educacional, surgindo o Clube da Oração e o Grupo Juvenil.

Como forma de resgate da trajetória da Escola Dom Bosco, foi realizado entre os alunos o Concurso sobre a História da instituição. O sucesso do trabalho realizado ao longo de anos trouxe à Corumbá um Conselho Inspetorial Salesiano para averiguar a possibilidade da integração da Cidade Dom Bosco na Congregação Salesiana em nível mundial.

A União dos Escoteiros do Brasil entregou o distintivo de ouro da corporação ao padre Ernesto conferindo-lhe o título de Cidadão Honorífico. Em novembro, aconteceu uma importante inauguração: A Igreja Dom Bosco. A paróquia teve a bênção do bispo D. Miguel Alagna.

No ano seguinte (1982), o Conselho Estadual de Educação reconheceu a Escola Dom Bosco como Escola Pioneira - Escola Comunidade, incluindo, desta maneira, em programas assistenciais as famílias dos alunos matriculados. Ainda foi assinado um importante convênio com a Secretaria de Educação para a abertura do Curso de Artes Tipográficas. A primeira turma começou os estudos em 1983, originando, posteriormente, a Tipografia Dom Bosco. Houve também a inauguração do Centro Recreativo Dom Bosco com a entrega da quadra coberta de esportes. Nessa ocasião, o Coral Infantil de Dom Bosco fez sua primeira apresentação. Este ano foi de reconhecimento aos trabalhos do padre Ernesto que recebeu três importantes homenagens: a Insígnia Máxima de Grã-Cruz conferida pelo Governador do Estado; o Diploma de Honor al Colégio Don Bosco concedido pelo Club Cultural y Deportivo "Atlético Potenõ 2" e o Diploma de apoio à comunidade no Combate ao Tráfico de Entorpecentes entregue pela Sociedade Rádio Clube de Corumbá.

Para uma total integração da criança e jovem na sociedade, o padre sabia que era preciso atingir todo seio familiar, sendo assim, em 1983, foi inaugurado o Clube das Mães onde eram oferecidos cursos de corte e costura, culinária e produção de leite. Foi, nesta época, que, novamente, chegou um grupo de jornalistas italianos para documentar o trabalho da Cidade Dom Bosco. E, mais um fato se repetiu: padre Ernesto recebeu das mãos do governador do Estado de Mato Grosso do Sul a Comenda da Grã Cruz. O presidente nacional da União dos Escoteiros do Brasil conferiu-lhe o certificado de Conselheiro Regional de Mato Grosso do Sul.

O reconhecimento do trabalho realizado pelo padre gerou mais homenagens em 1984. O Comandante do II Exército da 9ª Região Militar (São Paulo) entregou o diploma de Colaborador Emérito do Exército. Seguindo o exemplo da corporação paulista, o Comandante da 18ª Brigada de Infantaria Ricardo Franco, conferiu-lhe um diploma pelos serviços prestados. Já, na cidade do Rio de Janeiro, recebeu a Medalha de Mérito de Mattos Duarte como uma das personalidades de maior destaque no campo da assistência social, durante os vinte anos da Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor (Funabem), no cenário nacional.

Em 1984, ainda foi inaugurada a cozinha própria e deu-se início ao projeto de arborização da Cidade Dom Bosco com o plantio de cem palmeiras imperiais na área do prédio, que ia se tornando pequeno diante do número de pessoas assistidas com a implantação de novos serviços assistenciais. Dessa forma, fez-se necessário adquirir novo terreno para ampliação do espaço físico da Cidade Dom Bosco.

Com a ajuda dos benfeitores do exterior, foi possível a criação de associação comunitária para os pescadores carentes de Corumbá. Eles receberam 100 chalanas de 6 metros de comprimento, uma lancha, um motor de popa e um frigorífico de isopor para acondicionar o pescado.

Em 1985, Padre Ernesto assumiu a presidência da Assembléia das Entidades Não-Governamentais em Corumbá. Na Itália, surgiu a publicação bimestral "Informativo Cidade Dom Bosco" voltado aos benfeitores daquele país.

Para comemorar os 25 anos da Cidade Dom Bosco, em 1986, o Governo Estadual divulgou por meio de dez mil folhetos com o título "Cidade Dom Bosco - A Cidade Coração", o trabalho assistencial em todo o  estado. A preocupação em se criar estratégias para a inserção de crianças e jovens carentes na sociedade, provocou a realização do I Encontro de Magistrados e Curadores de Menores em Corumbá. Na ocasião, padre Ernesto foi convidado a compor, juntamente com personalidades de outros estados, uma mesa de discussão. Impulsionado pelas discussões do evento, manteve contato com um grupo composto por 12 menores de rua detidos pela Polícia Militar e, com o consentimento da Justiça, abrigou-os na Cidade Dom Bosco. A intenção era, por meio do regime de internato, dar bases aos adolescentes para uma integração social. Essa atitude foi a matriz do que, em 1988, transformou-se no Projeto Criança Feliz.

Em 1987, o MEC entregou ao padre, através do presidente da FAE, a Medalha do Mérito pela assistência prestada à classe estudantil. O grupo de "Patrulheiros Mirins" foi transferido para o centro da cidade, no prédio da Casa do Pequeno Trabalhador, para uma maior aproximação e realização de serviços para comunidade.

A Congregação Salesiana integrou canonicamente, no ano de 1988, a Cidade Dom Bosco em âmbito mundial pelo sucesso do sistema aplicado à juventude necessitada. Realizou-se, na mesma época, como parte do Projeto Escola-Comunidade", o 1º Encontro Intermunicipal Pró-Menor com o apoio do Juizado de Menores de Corumbá. Na ocasião, reuniram-se vários segmentos da sociedade para que, através de discussões, fossem criadas estratégias para a problemática do menor.

Desta vez, a Corporação da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul outorgou ao padre Ernesto a Medalha de Tiradentes, no quartel geral de Campo Grande.

Para lembrar o centenário da morte de São João Bosco, foi lançado o concurso À Procura do Pequeno Herói. Participaram do concurso crianças de 8 a 14 anos que tinham realizado uma ação incomum em favor do próximo, inclusive vários diretores de escolas da cidade estiveram presentes no evento de lançamento realizado no Fórum de Corumbá.

Em 1989, a Escola Profissional Dom Bosco passa a ser denominada Centro Profissional Dom Bosco e, para tal mudança, foi necessário um estudo do Conselho Diretor para a reestruturação e implantação de novos cursos. Ficaram definidas também as condições para o jovem ingressar nos cursos oferecidos: frequentar uma escola e, de preferência, que fosse carente. Como forma de encaminhar esses alunos na vida profissional, surgiu o projeto Adolescentes Aprendizes que abrigava em indústrias e empresas da cidade jovens entre 16 e 17 anos; eles recebiam meio-salário pelos serviços prestados.

Padre Ernesto foi escolhido patrono da Associação de Escritores de Corumbá assumindo a cadeira número quarenta e oito ocupada por João L. Ramos em 1990, e a Associação dos Aposentados e Pessoas Idosas entregou-lhe um Certificado pelos trabalhos realizados no nosso país. Nesta ano, ele ainda recebeu o Diploma de Honra ao Mérito conferido pelo Secretário Estadual de Educação pelo empenho empregado em prol da educação em Mato Grosso do Sul.

O ano posterior, 1991, continuou sendo de homenagens recebidas. Inclusive, a comunidade paraguaia erradicada em Corumbá, através de seu consulado, entregou ao padre o Diploma de Amigo do Paraguai. E, novamente, a Sociedade Rádio Clube de Corumbá concedeu-lhe um Diploma por sua atuação no combate e uso de entorpecentes.

O ano de 1992, foi marcado pela aposentadoria do padre, como servidor estadual. Dessa forma, o governador de Mato Grosso do Sul, Pedro Pedrossian, conferiu-lhe o Diploma de Mérito Funcional. Houve também homenagem na esfera municipal, onde a Câmara de Corumbá, destacou-o como inspirador da Cidade Dom Bosco bem como os trinta e um anos de funcionamento da instituição.

Em 1983, foram implantadas, para os jovens, as aulas de datilografia na Cidade Dom Bosco, em convênio com o Senac.

Passados dezenove anos da sua primeira visita, retornou ao Brasil, no mês de julho de 1983, o benfeitor espanhol, Mariano Bonilla, que ficou impressionado com o progresso do projeto durante quase duas décadas. A zona rural de Corumbá também reconheceu o empenho do padre em sua comunidade, sobretudo em favor das crianças e adolescentes. Sendo assim, a Associação de Pequenos Produtores Rurais P.A. Taquaral outorgou-lhe um diploma.

O movimento dos ex-alunos foi reativado em 1994, com a formação de um Grupo Teatral. E, ainda foi realizada a segunda edição do concurso "À Procura do Pequeno Herói" com um maior número de candidatos ao prêmio.

Em 1995, o padre apresentou uma chapa para a eleição da primeira diretoria do recém-formado "Conselho Municipal de Assistentes Sociais"; sua indicação foi a escolhida. Ele também foi eleito por aclamação o presidente da Associação das Entidades Não-Governamentais de Corumbá para cumprir mandato de dois anos. Foi convidado a ser o Patrono Titular do Centro Integrado de Atendimento à Criança (CAIC), hoje denominado, "CAIC Padre Ernesto Sassida".

Um foto inédito ocorreu, no ano de 1996, em uma das inúmeras viagens do padre ao exterior. Na terceira maior cidade da Eslovênia, Nova Gorica, padre Ernesto recebeu das mãos do prefeito do município o Diploma de Cidadão Honorário de Nova Gorica pela obra realizada no Brasil. Há de se ressaltar que o governante pertencia ao regime comunista que perseguiu muitos religiosos. Ainda na Eslovênia, foi editado o livro "Deixai que as crianças venham até mim" que, em 1998, também foi publicado na Itália.

Padre Ernesto, logo após ter se recuperado de problemas de saúde, os quais fizeram-no permanecer internado no Instituto Policlínico de Padova, compareceu à inauguração do Caic Padre Ernesto Sassida.

No ano de 1997, a Comissão Municipal de Assistência Social o reelegeu como presidente. Iniciou-se, então, um trabalho de entrevistas com as famílias das crianças carentes assistidas pelo projeto Criança Feliz. Daí para frente, essas atividades foram intensificadas, levando ao conhecimento do setor municipal de assistência social a situação de pobreza na cidade.

Padre Ernesto recebeu da Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul uma importante homenagem em 1998: o Título de Cidadão Sul-Mato-grossense. Durante a primeira Assembléia Geral do Fórum Permanente de Entidades Não-Governamentais de Corumbá e Ladário, realizada em setembro daquele ano, o padre  foi eleito seu presidente honorário. Já, na Escola Profissional Dom Bosco, inaugurou-se o pavilhão Administrativo e Pedagógico.

Em 1999, foi exibida, no Jornal Nacional da Rede Globo, uma matéria jornalística sobre o projeto "Adoção à Distância". Ao final da exibição da matéria, a apresentadora deixou uma pergunta aos telespectadores: "Por que não fazer, nós brasileiros, aquilo que os estrangeiros estão fazendo pelas nossas crianças?". Esse fato impulsionou o padre a empreender um novo projeto denominado Patrocine uma Criança. Era necessária a parceria com o Governo do Estado para a sobrevivência do projeto, sendo assim, o padre organizou uma reunião com a presença do Governador do Estado, José Orcírio Miranda dos Santos, e outros convidados.

No ano seguinte, em 2000, montou a Comissão Pró-Erradicação da Pobreza, composta por membros da sociedade corumbaense com o intuito de dar suporte ao projeto Patrocine uma Criança. O padre seguiu para a Itália onde buscou apoio financeiro para reforma, conclusão e conservação do prédio da Cidade Dom Bosco. Naquele país, são aprovados os estatutos do "Adoção à Distância" com o nome oficial de "Missione Bambini-Padre Ernesto" (Missão das crianças de Padre Ernesto) e, na cidade de Pisa, foi-lhe entregue uma medalha de ouro, referente ao XXIII Prêmio Internacional Último Novecentos; destinada à personalidades que realizaram algum trabalho de destaque na Europa. Esse reconhecimento confirmou que a dimensão do trabalho humanitário do padre é de proporções internacionais. 

Em 2001, houve a inauguração do novo prédio do Projeto Criança Feliz, na rua Dom Aquino. A cerimônia contou com a presença do Bispo Diocesano, autoridades, sócios fundadores, sócios beneméritos e um grupo de alunos remanescentes da primeira turma da antiga sede, o Barraco. Na solenidade, o Dr. José Ferreira Freitas, lançou o livro "A estrela que Tardava Ainda" com relatos da história da Cidade Dom Bosco. Em junho deste ano, o padre se deslocou até a cidade de Campo Grande onde recebeu das mãos do governador do Estado, em cerimônia na Assembléia Legislativa, a Comenda da Ordem do Mérito Pantaneiro. De volta à Cidade Branca, lançou oficialmente o Centro Padre Ernesto de Promoção Humana e Ambiental (CENPER). O objetivo do centro era estender o trabalho de assistência, promoção e integração social realizado na Cidade Dom Bosco para todos os bairros periféricos do município com a participação e o apoio da sociedade corumbaense.  

O ano de 2002, começou com a inauguração da Rádio Pantaneira de Comunicação e Cultura. E, mais uma vez, o padre retornou à Itália onde lançou nova edição do livro "Deixai que as crianças venham até mim" e fez suas visitas rotineiras na busca de novos colaboradores. No mês de novembro, foi comemorado o aniversário do padre Ernesto juntamente com os cinquenta anos do início da ação social em Corumbá. O evento batizado "Noite da Amizade" reuniu importantes figuras na construção e sustentação da obra iniciada em 1952, além da presença dos primeiros menores assistidos pelo programa.

Deu-se início, em 2003, à uma grande pesquisa para levantar a situação sócio-econômica de Corumbá. O trabalho foi realizado pelo CENPER - Cidade Dom Bosco, em parceria com o Campus de Corumbá da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e Prefeitura de Corumbá. Os resultados obtidos com a minuciosa pesquisa que atingiu cerca de vinte mil famílias tinha o objetivo de traçar um plano estratégico de combate a pobreza no município. Em fevereiro, o escritor corumbaense Augusto César Proença lançou o livro "Corumbá de Todas as Graças" no qual, em sua segunda parte, relata os feitos da Ação Salesiana na cidade, ressaltando, sobretudo, a Cidade Dom Bosco. Em agosto, retornou à Itália onde completou seus 84 anos na presença de seus familiares e realizou palestras e visitas em busca de novos colaboradores. Já, na capital da Eslovênia, manteve contato com o Centro Missionário daquele país. Lá, agregou cerca de trezentas pessoas dispostas a participarem do  "Adoção à Distância". No mês de dezembro, em parceria com a TV Cidade Branca, participou juntamente com outras entidades assistenciais da "Campanha Natal Feliz", realizada no Estádio Arthur Marinho.

No ano de 2004, abençoou a pedra fundamental da futura sede do CENPER. A obra teve seu início imediato. Ainda foi adquirido um lote vizinho ao terreno onde situa-se o Barraco, tido como marco histórico inicial da Cidade Dom Bosco, que completa, no dia 03 de abril deste ano, 52 anos como o resultado de um trabalho abnegação e de amor ao próximo.

Em 2005, foi outorgado ao padre Ernesto o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) pela sua trajetória de vida que se confunde com a larga obra social implantada em Corumbá.

Já em 2006, a nova sede do Cenper foi inaugurada. Em 2008, foi fundada a União de Ex-Alunos da Cidade Dom Bosco, que tem por concepção ser "uma organização com atuação na área de promoção social e humana, de caráter comunitário, autônoma, sem fins lucrativos" como diz seu estatuto de criação.

Em 2010, foi publicada a revista "Cidade Dom Bosco - 50 Anos Educando com Amor", em comemoração aos 50 anos da obra social iniciada pelo padre Ernesto. Fruto de seis meses de trabalho do jornalista, Gesiel Rocha, a revista trouxe uma linguagem dinâmica, um relato histórico da ação missionária; educacional e assistencial do salesiano.

Em 2012, em comemoração aos 93 anos de idade do padre Ernesto, foi inaugurado o Museu da Cidade Dom Bosco, montado na réplica do antigo barracão onde, em 1961, foi instalada a "Escola Profissional Alexandre de Castro", primeiro nome da Cidade Dom Bosco. O local abriga diversas fotografias e objetos que retratam a trajetória de um dos mais longínquos e importantes projetos sociais desenvolvidos em Corumbá.

No dia 02 de março de 2013, o padre Ernesto foi internado no Centro de Terapia Intensiva do Hospital de Corumbá, onde permaneceu em tratamento médico contra uma pneumonia agravada por problemas cardíacos crônicos. Seu falecimento ocorreu no dia 13 de março, em decorrência de uma parada cardíaca, após 11 dias de internação médica.

Leia: Fundador da Cidade Dom Bosco, padre Ernesto Sassida morre aos 93 anos

Leia: Na Cidade Dom Bosco, professores lembram dedicação de padre Ernesto à sociedade

Comentários:

Suzete Santos: Em 1995, Padre Ernesto implantou a Política Municipal de Assistência Social no município de Corumbá, com o slogam nacional: "Direito do cidadão, Dever do Estado", rompendo com a política de: benesse, favor e clientelismo. Foi um marco na história, a implementação das politicas públicas em nosso município, ações que refletem até os dias de hoje. Não se esquecendo que o FORUNCORLAD por meio do Padre Ernesto e Shabib, desbancaram a ferro e fogo, as praticas subservientes já existentes, comprovando e justificando por meio de pesquisas no ano de 2003, o denominado "Senso da Pobreza e da Miséria", onde foi mapeado as regiões com maiores índice de pobreza em nosso municípo, que sirva de exemplo a sua humildade, o seu espírito desbravador e acima de tudo o seu AMOR pelo próximo. Obrigado pela oportunidade de fazer parte desta história. Corumbá não pode deixar morrer as suas obras. Saudade Eterna!!!!!!

PUBLICIDADE