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Pela 3ª vez, médico réu por feminicídio volta à prisão em Campo Grande

Campo Grande News em 03 de Setembro de 2026

Reprodução

Cardiologista foi levado à Deam após desembargador reconsiderar decisão que o havia colocado em liberdade

O médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, foi preso novamente nesta quinta-feira (3), em Campo Grande. Réu pelo feminicídio da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, ele foi localizado na chácara onde vivia com a vítima e onde o crime ocorreu.

A polícia cumpriu a prisão em razão de um novo mandado judicial. Após ser detido, João será encaminhado à Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher). É a terceira vez que Jazbik é levado à cadeia desde a morte da esposa.

A nova prisão foi determinada pelo desembargador Emerson Cafure, da 1ª Câmara Criminal do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul). O magistrado reconsiderou a própria decisão que havia colocado o médico em liberdade e restabeleceu a prisão preventiva decretada em 14 de agosto pela 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.

O mandado foi expedido com validade de 20 anos e determina que João seja recolhido em prisão especial.

“Eu não matei a Fabíola. Eu não matei a Fabíola.” Foi repetindo a negação e dando “tchauzinho” para jornalistas que o médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, desceu de um camburão e entrou na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), no fim da tarde.

Cercado por policiais e jornalistas, o médico também afirmou que vivia “em lua de mel” com a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos.

Divulgação

Fabíola Marcotti e João Jazbik Neto durante festa, em 2014

Jazbik foi preso horas antes na chácara onde morava com Fabíola, na região da Chácara dos Poderes. A fisioterapeuta foi encontrada morta dentro da propriedade em 18 de maio deste ano. Ele sustentou inicialmente que Fabíola havia cometido suicídio. A PCMS (Polícia Civil de Mato Grosso do Sul), porém, concluiu que a fisioterapeuta foi assassinada. Ele foi denunciado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e tornou-se réu por feminicídio.

Conforme a denúncia, Fabíola sofreu sucessivos golpes na cabeça com um objeto não identificado antes de ser atingida pelo disparo que provocou sua morte. A perícia concluiu que os vestígios encontrados no quarto, entre eles manchas de sangue, lesões e a trajetória do projétil, eram incompatíveis com a hipótese de suicídio.

O médico responde por feminicídio qualificado pelo meio cruel, uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima e emprego de arma de fogo de uso restrito. Também é acusado de violência psicológica contra a mulher, posse irregular de armas e fraude processual.

A defesa, comandada pelo advogado José Belga Trad, sustenta a inocência do cardiologista e contesta as conclusões dos laudos periciais. A prisão preventiva não representa condenação, e a responsabilidade criminal será decidida durante o processo.