Leonardo Cabral em 06 de Agosto de 2026
Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Missa foi celebrada na Catedral de Nossa Senhora da Candelária
Conhecidos na região de fronteira como "los hermanos", os bolivianos iniciaram as comemorações com uma missa na Catedral de Nossa Senhora da Candelária, padroeira de Corumbá. A celebração, em português e espanhol, foi presidida pelo bispo da Diocese, Dom João Batista de Oliveira, com a participação dos padres Jacinto e Júlio Cesar Silva Mônaco.
Durante a cerimônia, Dom João Batista destacou que a festa representa a devoção mariana compartilhada entre brasileiros e bolivianos e fortalece os laços entre os povos da fronteira.
"Festejar a Virgem de Copacabana é celebrar Maria. Aqui temos Nossa Senhora da Candelária e Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, enquanto eles têm Nossa Senhora de Copacabana como padroeira da Bolívia. Esse vínculo com os corumbaenses é muito importante, pois vivemos em uma região de fronteira, com muitos bolivianos radicados aqui. Celebrar juntos essa devoção fortalece esse intercâmbio religioso entre os dois países", afirmou ao Diário Corumbaense.
Anderson Gallo/Diário Corumbaense

O casal "pasante”, Gustavo Anti Mamani e Morella Salluca, responsável pelas comemorações este ano
Para Gustavo, participar da organização representa um momento de profunda emoção para toda a família. "É uma honra servir à Nossa Senhora de Copacabana. Isso mostra que a fé não tem limites. Estamos felizes por celebrar em Corumbá, uma cidade que nos acolhe tão bem. Agradecemos ao povo brasileiro por participar conosco dessa data tão importante. É uma emoção que não tem preço", declarou.
Cortejo reúne centenas de fiéis
Após a celebração religiosa, os devotos seguiram em um tradicional cortejo dançante pelas ruas centrais da cidade. Acompanhados por bandas e grupos folclóricos, os participantes prestaram homenagens à "Mamita de Copacabana", como a santa é carinhosamente chamada pelos fiéis.O percurso passou pelas ruas Antônio Maria, Dom Aquino e Luiz Feitosa Rodrigues, seguindo em direção à fronteira com a Bolívia, onde as festividades continuam.
Entre o público estava a campo-grandense Ana Janice, que acompanhou a celebração pela segunda vez. Ela destacou a riqueza cultural e o sentimento patriótico demonstrado pelos bolivianos. "No ano passado assisti pela primeira vez e este ano voltei para acompanhar novamente. É uma manifestação cultural muito rica, cheia de detalhes, que mostra como eles vivem e celebram suas tradições. É um povo alegre, que demonstra muito patriotismo. É muito bonito de ver", comentou.
Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Cortejo dançante pelas ruas centrais de Corumbá
Tradição que atravessa a fronteiras
Realizada há mais de 22 anos em Corumbá, a festa da Virgem de Copacabana tornou-se uma das principais manifestações culturais e religiosas da região de fronteira, reunindo bolivianos residentes na cidade, visitantes e moradores que acompanham a celebração.
Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Ruas se transformaram num corredor para a passagem do cortejo
Além da capela principal, foi erguida uma capela aberta destinada às celebrações ao ar livre, tradição herdada dos povos indígenas. Ao longo dos séculos, o complexo religioso passou por ampliações para atender ao crescente número de fiéis e visitantes.
A imagem da Virgem de Copacabana foi esculpida por Francisco Tito Yupanqui, descendente da realeza inca. Representada com traços que refletem o povo andino, a santa é adornada com joias de ouro e prata, além de mantos que são substituídos periodicamente como parte da tradição religiosa.
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