Rosana Nunes em 24 de Julho de 2026
Divulgação/IHP

Pilar tecnológico do treinamento destacou ferramentas de detecção precoce de focos de incêndio
Com carga horária de 16 horas, o treinamento abordou o uso de tecnologias de monitoramento e sistemas de Inteligência Artificial (IA) para a detecção precoce de focos de incêndio, alinhamento de protocolos de emergência e noções de resgate técnico de animais silvestres afetados por desastres ambientais. A capacitação ocorre em um momento estratégico, com o início do período de estiagem, quando aumenta o risco de queimadas no bioma.
A primeira etapa da formação foi realizada em maio, destinada aos oficiais da Armada Boliviana. Já o treinamento dos sargentos operacionais ocorreu no dia 23 de julho, em Corumbá.
Tecnologia e resgate de fauna
Entre os principais temas da programação esteve o uso de plataformas equipadas com Inteligência Artificial capazes de identificar colunas de fumaça e elevação de temperatura poucos minutos após o início de um incêndio, permitindo o acionamento antecipado das brigadas e reduzindo as chances de propagação do fogo.
A formação também incluiu oficinas sobre resgate técnico de fauna silvestre e protocolos que contribuem para reduzir a mortalidade de animais durante incêndios florestais. O intercâmbio permitiu ainda a troca de experiências sobre metodologias e práticas utilizadas pela Bolívia na prevenção e no combate ao fogo.
O diretor do Centro de Formação de Bombeiros Florestais da Armada Boliviana, capitão de fragata José Martin Torrico Bravo, do 5º Distrito Naval de Puerto Quijarro, destacou a importância da qualificação dos militares.
"Há uma importância fundamental nessa troca de conhecimento e aperfeiçoamento dos militares da Armada Boliviana que estão realizando a formação de bombeiros florestais. Nossa intenção é que eles estejam muito bem preparados para atuarem em situações de emergência e atentos para poderem atuar em conjunto com instituições brasileiras, caso seja necessário", afirmou.
Para o presidente do IHP, Ângelo Rabelo, a cooperação internacional é essencial diante da dinâmica dos incêndios na região.
"O fogo não reconhece limites territoriais ou linhas de fronteira. A resposta aos desastres ambientais no Pantanal exige união de esforços, tecnologia compartilhada e capacitação continuada para que as equipes dos dois países atuem em sincronia na proteção da biodiversidade e das comunidades", ressaltou.
Além da formação promovida pelo IHP, os militares bolivianos também participam de atividades de intercâmbio com equipes do Prevfogo/Ibama e do 3º Grupamento de Bombeiros Militar, ambos sediados em Corumbá.
Cemaden alerta para risco climático no segundo semestre
A capacitação ocorre em um cenário de preocupação com as condições climáticas previstas para o segundo semestre. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) divulgou nota técnica indicando maior probabilidade de desenvolvimento do fenômeno El Niño entre agosto e outubro de 2026, com intensidade entre moderada e forte.
De acordo com o órgão, o fenômeno poderá provocar chuvas intensas, deslizamentos e enchentes na Região Sul, enquanto Norte e Nordeste tendem a enfrentar agravamento da seca e aumento do risco de incêndios. Na região central do país, a previsão é de ondas de calor mais frequentes e baixa umidade do ar, cenário que eleva a vulnerabilidade do Pantanal às queimadas.
As projeções são baseadas em análises de instituições como o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e o Bureau de Meteorologia da Austrália (BOM). Segundo o Cemaden, as anomalias positivas na temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial podem levar o fenômeno a atingir intensidade comparável à dos maiores eventos já registrados.
Caso as previsões se confirmem, as condições poderão superar os episódios registrados em 2023 e 2024, quando a combinação de calor extremo e seca favoreceu o avanço dos incêndios na Amazônia e no Pantanal. Além dos impactos sobre a biodiversidade, as queimadas comprometem a saúde das populações, sobretudo das comunidades que vivem em áreas remotas, mais próximas das frentes de fogo e com menor acesso a recursos para proteção contra a fumaça.
Leia a nota técnica do Cemaden neste link.
Com informações da assessoria de imprensa do IHP.
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