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Modelos indicam El Niño intenso no fim de 2026 e pesquisador recomenda monitoramento

Rosana Nunes em 09 de Julho de 2026

Imagem: NOAA

Aquecimento do Oceano Pacífico pode alcançar níveis históricos, alterar o regime de chuvas e provocar reflexos na economia e na saúde pública

O fortalecimento do fenômeno El Niño ao longo do segundo semestre de 2026 vem sendo apontado pelos principais centros internacionais de monitoramento climático. Caso as projeções se confirmem, o aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial poderá atingir seu pico entre novembro e dezembro, com anomalias entre +3°C e +4°C na região Niño 3.4, podendo configurar um dos episódios mais intensos já registrados.

Segundo o pesquisador Thiago Rangel Rodrigues, do Laboratório de Ciências Atmosféricas (LCA) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), embora os modelos indiquem uma tendência consistente de fortalecimento do fenômeno, ainda não é possível confirmar sua intensidade final. "Estamos analisando cenários probabilísticos e somente o monitoramento contínuo permitirá confirmar a força que o fenômeno realmente alcançará", afirma.

O El Niño altera a circulação atmosférica global e influencia os padrões de temperatura e chuva em diversas regiões. No Brasil, historicamente, o Sul tende a registrar aumento das precipitações, enquanto Norte e Nordeste costumam enfrentar períodos mais secos e quentes.

Em Mato Grosso do Sul, os impactos variam conforme a região. A tendência é de maior volume de chuva no sul do Estado, enquanto o norte e o oeste podem apresentar comportamento mais irregular. No Pantanal, alterações no regime de cheias e vazantes podem afetar a biodiversidade, a navegação, o turismo e a pecuária, além de aumentar o risco de incêndios florestais caso coincidam com períodos de seca.

Divulgação

Especialistas recomendam o acompanhamento constante das previsões climáticas para orientar decisões no campo e na gestão pública

A agricultura e a pecuária estão entre os setores mais vulneráveis aos efeitos do El Niño. Para o pesquisador, o principal desafio não é apenas o volume de chuva, mas sua distribuição ao longo da safra. Períodos secos em fases críticas ou excesso de chuva durante o plantio e a colheita podem comprometer culturas como soja, milho, algodão, feijão e cana-de-açúcar, além de reduzir a produtividade da pecuária.

Outros setores também podem ser afetados, como infraestrutura, logística, recursos hídricos, geração de energia e saúde pública. Períodos mais quentes e úmidos favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti, aumentando o risco de doenças como dengue, chikungunya e zika. Chuvas intensas elevam a possibilidade de doenças relacionadas à contaminação da água, enquanto períodos prolongados de fumaça decorrentes de queimadas comprometem a qualidade do ar e agravam doenças respiratórias.

Planejamento

Apesar das projeções, os especialistas reforçam que ainda há incertezas e que a intensidade do fenômeno dependerá da evolução das condições oceânicas e atmosféricas nos próximos meses. Por isso, recomendam o acompanhamento constante das previsões climáticas para orientar decisões no campo e na gestão pública.

"O monitoramento contínuo permite que produtores, gestores públicos e a sociedade se preparem com antecedência. Quanto mais cedo as previsões forem incorporadas ao planejamento, maiores serão as chances de reduzir prejuízos", conclui Thiago Rangel Rodrigues.

Com informações da assessoria de comunicação da UFMS e Observatório Meteorológico do LCA.

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