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Audiência pública em Corumbá debate impactos e alternativas à concessão da Hidrovia do Rio Paraguai

Da Redação em 05 de Junho de 2026

Divulgação/Semadesc

Projeto de concessão abrange cerca de 600 km no chamado Tramo Sul, ligando Corumbá à foz do rio Apa (Porto Murtinho)

Corumbá sedia nesta sexta-feira, 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, audiência pública proposta pelo deputado estadual Pedro Kemp (PT) para debater o projeto de concessão e ampliação da Hidrovia Paraguai-Paraná. O encontro faz parte da mobilização institucional "Rios que Conectam, Obras que Fragmentam". A iniciativa deve reunir lideranças ribeirinhas, pescadores, cientistas e autoridades para discutir os riscos socioambientais da privatização da via navegável.
O debate, realizado pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, tem parceria com a Ong SOS Pantanal, a organização internacional Environmental Justice Foundation (EJF) e ganha urgência diante dos alertas de órgãos de controle. O Ministério Público Federal (MPF) aponta a fragilidade na concessão de licenças ambientais fragmentadas e cobra a realização de estudos integrados que avaliem o impacto cumulativo das obras em todo o bioma.
A audiência pública acontece às 16h, no Centro de Convenções do Pantanal e é aberta ao público. 
Principais alertas técnicos e riscos
As notas técnicas divulgadas pelas assessorias das entidades apontam severas ameaças ao ecossistema pantaneiro caso o projeto avance nos moldes atuais:
Secamento do Pantanal: As extensas dragagens planejadas para aprofundar o leito do rio - abrangendo cerca de 590 quilômetros entre Corumbá e a foz do Rio Apa - podem acelerar o escoamento das águas. Isso reduziria o transbordamento lateral do rio, afetando o pulso natural de inundação.
Destruição de rochas (derrocamento): A remoção de pedrais submersos para facilitar a passagem de grandes comboios ameaça retificar o curso d'água. Essa alteração compromete diretamente a reprodução da fauna aquática e a atividade pesqueira regional.
Impacto social e desrespeito a comunidades: Entidades alertam para a falta de consulta prévia adequada às populações tradicionais e indígenas, que dependem diretamente do rio e enfrentam riscos com o aumento do tráfego de grandes embarcações de carga.
Como soluções e alternativas defendidas está a reestruturação da Malha Oeste por meio da expansão da ferrovia em Corumbá como a principal logística terrestre, considerada viável e menos agressiva ao meio ambiente.
Também é defendida a adequação dos contratos para instituir períodos de tráfego que respeitem rigorosamente os ciclos sazonais de cheias ecológicas do Pantanal. Outra medida é a fixação do calado máximo de navegação em 1,5 metro. Segundo a instituições, o limite é compatível com as condições naturais de 80% dos anos hidrológicos da região, eliminando a necessidade de intervenções estruturais profundas.
Concessão
O processo de concessão da Hidrovia Paraguai-Paraná está dividido em diferentes frentes geopolíticas e os leilões para o trecho brasileiro foram adiados para 2027
O projeto abrange cerca de 600 km no chamado Tramo Sul, ligando Corumbá (MS) à foz do rio Apa (Porto Murtinho). A modelagem prevê investimentos de cerca de R$ 63,7 milhões para dragagem, sinalização e manutenção da navegabilidade.
Com informações de assessorias de imprensa. 
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