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Acordo institucional entre Brasil e Bolívia pode reforçar combate a incêndios no Pantanal

Rosana Nunes em 10 de Abril de 2026

Divulgação/IHP

Proposta visa a criação de ações conjuntas de combate a incêndios florestais

Uma proposta de cooperação internacional entre Brasil e Bolívia para prevenir e combater incêndios no Pantanal ganhou força após articulação do Instituto Homem Pantaneiro (IHP). A iniciativa foi formalmente apresentada pelo presidente da entidade, Angelo Rabelo, ao Governo Federal, com o objetivo de institucionalizar ações conjuntas inspiradas em acordos internacionais, como o modelo adotado entre Espanha e Portugal.

A proposta recebeu apoio do senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que preside a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. O parlamentar encaminhou ofícios aos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e João Paulo Capobianco (Meio Ambiente e Mudança do Clima), defendendo a adoção de medidas coordenadas entre os dois países.

Geraldo Magela/Agência Senado

Senador Nelsinho Trad apoia a proposta

Segundo Trad, a preservação do bioma exige atuação conjunta diante de um problema que ultrapassa fronteiras. “Proteger o Pantanal é proteger vidas, culturas e o futuro das próximas gerações. Não podemos agir de forma isolada diante de um problema que é comum. A união entre Brasil e Bolívia é um passo fundamental nessa missão”, afirmou.

A preocupação é reforçada pelo aumento de grandes incêndios registrados entre 2020 e 2024, impulsionados por fatores como mudanças climáticas, redução de chuvas e diminuição da lâmina d’água na região.

Casos recentes mostram que focos iniciados em um país podem rapidamente atingir o outro, especialmente em áreas como a Serra do Amolar e o Parque Nacional San Matías, região de difícil acesso e baixa presença estatal. Essas áreas fazem fronteira com o município de Corumbá e abrigam rica biodiversidade.

Do lado brasileiro, destaca-se a chamada Rede Amolar, um importante corredor ecológico com cerca de 200 espécies de animais, incluindo diversas ameaçadas de extinção, além de comunidades tradicionais ao longo do rio Paraguai.

“Para além dos impactos imediatos na fauna e flora, o comprometimento da biodiversidade pantaneira em médio e longo prazo, afetando inclusive as migrações de espécies, exige uma resposta diplomática e operacional coordenada”, alerta o presidente do IHP.

Debate internacional

A proposta também foi discutida durante a COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, realizada em Campo Grande, em março. O encontro destacou a necessidade de superar barreiras burocráticas entre países e criar mecanismos formais que permitam respostas mais rápidas a desastres ambientais.

Entre os principais pontos da cooperação estão:

- Integração entre brigadas e instituições ambientais;

- Redução da burocracia para atuação em áreas de fronteira;

- Proteção de habitats e rotas migratórias. 

Parcerias já existentes

Divulgação/IHP

Brigada Alto Pantanal, do IHP, já compartilha informações e alertas para permitir trabalho conjunto com a Bolívia

Apesar da proposta formal ainda estar em discussão, o IHP já mantém colaboração com instituições bolivianas. Em 2025, equipes participaram de treinamento conjunto em Santiago de Chiquitos, promovido por organizações como a Fundación ORE e a Fundación CERAI, além do governo regional de Santa Cruz.

No ano anterior, o instituto firmou parceria com a CERAI para atuação na Área Natural de Manejo Integrado San Matías, com foco em combate a incêndios, pesquisa científica e apoio a comunidades locais.

Também houve operações conjuntas envolvendo brigadistas brasileiros, o Exército boliviano e o Prevfogo/Ibama no combate a incêndios na região da Laguna Mandioré, área de fronteira entre os dois países.

A expectativa é que a formalização do acordo amplie a capacidade de resposta e fortaleça a proteção de um dos biomas mais importantes da América do Sul.

Com informações da assessoria de imprensa do IHP.

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