PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Em apenas 52 dias, Mato Grosso do Sul chega ao 7º feminicídio do ano

Campo Grande News em 09 de Março de 2026

Divulgação

Corpo da vítima ficou completamente carbonizado

A morte de uma mulher em um incêndio registrado na madrugada de domingo (8), em Paranhos, levou à prisão do ex-companheiro dela, Juares Fernandes, de 52 anos, e elevou para sete o número de feminicídios em Mato Grosso do Sul em 2026 desde o primeira morte do ano, registrada em 16 de janeiro. A vítima foi identificada como Ereni Benites, de 44 anos.

De acordo com o registro policial, a equipe foi acionada por volta da 1h da madrugada após um incêndio atingir uma residência localizada na aldeia Tekoha Paraguassu. Diante da gravidade e da possibilidade de haver vítima no local, foram acionados a Perícia Criminal e o IML (Instituto Médico Legal). Após a chegada das equipes, foi confirmado que Ereni morreu dentro da própria casa atingida pelo fogo.

No sábado (7), horas antes do crime, Juares e Ereni participaram de uma confraternização com familiares e conhecidos. O casal estava separado havia cerca de quatro anos, mas, conforme apurado pelos investigadores, Juares ainda tentava reatar o relacionamento.

De acordo com o delegado Sidney Pinheiro, durante o encontro o suspeito demonstrou "emoções intensas" ao falar sobre o relacionamento com a vítima. Ereni deixou o local e, pouco depois, Juares também saiu. Cerca de 20 minutos depois, ocorreu o incêndio na residência da mulher.

Inicialmente, havia a informação de que a vítima estaria em estado de embriaguez. Diante da situação, as pessoas que estavam ingerindo bebida com Ereni foram ouvidas pela Polícia Civil para esclarecer as circunstâncias e ajudar a apurar como o fogo começou.

Durante as investigações, o ex-marido passou a ser considerado suspeito e foi preso na tarde de domingo (8). Segundo a polícia, o homem levantou suspeitas após comemorar o incêndio que matou a ex-companheira. A Polícia Civil já ouviu familiares, entre eles dois filhos da vítima.

Evidências foram aparecendo

Horas antes do incêndio, Juares disse aos filhos que se sentia rejeitado e desamparado. A informação foi revelada pelo delegado Sidney Pinheiro de Queiroz, responsável pela investigação do caso. Segundo o delegado, o suspeito também se ausentou do local justamente no período em que o incêndio aconteceu.

“Ele revelou aos filhos que estava se sentindo rejeitado, desamparado. Que ninguém gostava dele. No momento em que teve o incêndio, ele se ausentou, e esse tempo coincide com a ausência dele”.

Mesmo separados, o suspeito continuava frequentando a casa da vítima e insistia em reatar o relacionamento. “Ele ia diversas vezes na casa dela, ela se sentia incomodada, mas nunca havia registrado boletim de ocorrência”, disse o delegado.

Ereni já estava em outro relacionamento e, conforme a polícia, o ex-companheiro demonstrava ciúmes. A casa onde a vítima foi encontrada era de madeira e estava sendo construída por ela. Próximo ao local há outro imóvel onde moram vários familiares.

O capitão da aldeia chegou a aconselhar o homem a deixar a vítima em paz. “Ele ficou fora alguns meses, trabalhando em algumas fazendas. No dia dos fatos houve esse encontro de todos nessa casa”, explicou o delegado.

Na manhã de domingo, equipes da Polícia Civil e da perícia estiveram no local. À tarde, os investigadores retornaram para identificar testemunhas e reunir novas informações.

“Tivemos essas informações, as peças foram se juntando e vimos evidências apontando para ele como suspeito”, afirmou Sidney.

O corpo da vítima estava completamente carbonizado. Apenas exames necroscópicos poderão indicar se Ereni sofreu algum tipo de agressão antes de morrer.

O caso foi registrado inicialmente como incêndio com vítima fatal, mas depois foi reclassificado como feminicídio majorado pelo uso do fogo.

Ereni e Juares tinham três filhos em comum. A Polícia Civil continua investigando o caso.