Campo Grande News em 09 de Dezembro de 2025
Reprodução

Discussão por ciúmes fez Ângela Nayhara decidir pela separação, mas Leonir Gugel não aceitou o término
Vítima do 38º feminicídio de Mato Grosso do Sul em 2025, Ângela é descrita pelos amigos como uma mulher trabalhadora e tranquila. Ela foi atingida por diversos golpes de canivete logo após Leonir procurá-la para voltar para casa, já que após a discussão na noite anterior, ela decidiu ir dormir na casa da mãe.
O homem chegou à residência da sogra, “calmo e tranquilo”, à procura de Ângela para tentar uma reconciliação. Ele então seguiu para a casa nos fundos do terreno onde a mulher estava e, em alguns minutos, o cenário se transformou com os “ânimos exaltados”.
Por conta do barulho, a mãe da vítima decidiu ir ver o que estava acontecendo. Ao chegar à casa, ela se deparou com Ângela já caída, sendo golpeada por Leonir. A mulher chamou a neta e as duas arremessaram telhas na tentativa de conter o autor. O homem jogou os objetos de volta e atingiu a sogra e a filha.
Desesperadas, elas correram para a rua para pedir ajuda e, neste momento, Leonir começou a se ferir com o canivete usado para golpear a esposa. A Polícia Militar foi acionada e, ao chegar ao local, encontrou Ângela caída, inconsciente e perdendo muito sangue. A equipe chamou o Corpo de Bombeiros, que tentou reanimar a vítima por alguns minutos, até que o óbito foi constatado.
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A delegada Analu Ferraz, da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), esteve no local e relatou que Leonir usou um canivete e uma faca de cozinha para ferir a vítima e se ferir. O casal não tinha histórico de violência doméstica, e a delegada confirmou que o crime aconteceu após a discussão no domingo, quando Ângela pediu a separação.
Despedida
Na manhã desta terça-feira (9), familiares e amigos se despediram da empresária. No velório, os parentes, bastante abalados, optaram por não conversar com a imprensa. Cerca de 80 pessoas estavam prestando suas últimas homenagens à Ângela por volta das 9h de hoje.
À reportagem, vendedora de 44 anos, que preferiu não se identificar, contou que Ângela era muito tranquila e muito trabalhadora. “Ela ia cedo para o restaurante. Tinha muitos amigos. A gente nunca imagina que uma tragédia dessas vai acontecer. Estou sem acreditar”, disse.
Um casal que também não quis se identificar disse que Ângela e Leonir tinham o restaurante naquele endereço há aproximadamente 2 anos, mas que antes tinham um estabelecimento em outro local e que nunca souberam de discussão entre os dois.
“Ela era bem quieta, na dela. Ele tomava chimarrão, conversava e trabalhava muito também. Nem dá para acreditar no que aconteceu. Acabamos de ver a manifestação por conta dos feminicídios e acontece uma coisa dessas. A mãe e a filha tentaram defendê-la e estão arrasadas. Não entra na nossa cabeça. Era uma mulher forte, guerreira.”
A violência doméstica é um crime que a sociedade não pode ignorar. Ao menor sinal de agressão, denuncie pelo 180 ou acione o 190 em casos de urgência. O silêncio protege o agressor, a denúncia protege a vítima.
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