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Pantanal tem redução de 4,3 milhões de hectares de vegetação nativa enquanto pastagens quadruplicam

Campo Grande News em 12 de Novembro de 2025

Guilherme Correia

Vista do rio Paraguai e suas margens, no Pantanal sul-mato-grossense

O Pantanal e o Planalto da BAP (Bacia do Alto Paraguai) em Mato Grosso do Sul perderam mais de 4,3 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2024, segundo dados do MapBiomas divulgados nesta quarta-feira (12), Dia do Pantanal.

A BAP cobre 18,6 milhões de hectares em MS, o que representa 53% do território estadual. Dentro dela, estão tanto a Planície Pantaneira quanto o Planalto, região de nascentes que alimenta rios do bioma.

No Planalto, a área natural caiu de 59% para 36% em 40 anos, o que equivale à perda de 3,2 milhões de hectares de vegetação. A agricultura cresceu 5,9 vezes, principalmente sobre antigas áreas de pastagem, enquanto a pastagem avançou sobre áreas nativas.

Na Planície Pantaneira, a vegetação natural passou de 96% para 85%, totalizando 1,1 milhão de hectares desmatados desde 1985. No mesmo período, a área de pastagem no bioma cresceu quatro vezes, passando de 563 mil hectares para 2,2 milhões.

O levantamento mostra ainda que 85% das pastagens da Planície apresentam baixo ou médio vigor vegetativo, o que indica degradação ambiental. Na região do Planalto, 63% das pastagens estão em condição parecida.

Mudanças no uso da terra têm impacto direto no regime de cheias do Pantanal, que vive o período mais seco dos últimos 40 anos. Em 2024, a área alagada ficou 73% abaixo da média histórica. A redução da cobertura vegetal no Planalto muda o fluxo hídrico que chega à planície e piora períodos de seca.

Entre atividades feitas por humanos, a mineração foi a que mais cresceu proporcionalmente na última década, com aumento de 60%. Atualmente, cerca de 15% do Pantanal está ocupado por atividades antrópicas, incluindo pastagens, agricultura e áreas urbanas.

Crise do Pantanal

O MapBiomas destaca que o Pantanal segue vulnerável à perda de vegetação e às mudanças climáticas e que a cada década, as cheias do bioma são menores e as secas mais prolongadas.

A região enfrenta o período mais seco das últimas quatro décadas, conforme o órgão.

Ainda segundo dados da Coleção 10 do MapBiomas, que analisa o uso da terra entre 1985 e 2024, a área anual alagada no bioma inteiro, incluindo o lado mato-grossense, caiu 75%, passando de 1,6 milhão de hectares na primeira década da série para 460 mil hectares na última.

O ano de 2024 foi o mais seco de todo o período, com área alagada 73% abaixo da média histórica. A última grande cheia, em 2018, foi 22% menor que a de 1988.

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