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Jeanine Añez deixa prisão na Bolívia e afirma não se arrepender de ter assumido a Presidência

Leonardo Cabral em 06 de Novembro de 2025

Reprodução/Unitel TV

Ex-presidente, Jeanine Añez ao sair da prisão nesta quinta-feira

A ex-presidente interina da Bolívia, Jeanine Añez, deixou na manhã desta quinta-feira (6) a prisão de Miraflores, em La Paz, após cumprir quatro anos e oito meses de detenção. Ao sair, por volta das 10h58, ela carregava uma bandeira boliviana e fez um pronunciamento público no qual afirmou não se arrepender de ter assumido o comando do país em 2019.

“Jamais me arrependerei de ter servido ao meu país quando ele precisou de mim”, declarou. Añez voltou a negar que tenha ocorrido um golpe de Estado na ocasião e reiterou que sua posse foi consequência do que classificou como um processo de “fraude eleitoral” nas eleições que antecederam a renúncia de Evo Morales.

Durante o discurso, a ex-presidente afirmou que o período na prisão foi “muito doloroso” e relatou impactos na própria saúde. “Foi um período difícil e doloroso, também para minha família, que suportou quase cinco anos de confinamento. Em alguns momentos, minha saúde se deteriorou. Tenho lapsos de memória, mas continuo firme”, disse.

Añez também mencionou o atual contexto político da Bolívia, defendendo um sistema judicial independente. “Que não haja mais presos políticos ou perseguidos. Caminho de cabeça erguida porque não tenho nada a esconder. Mesmo com nove processos abertos contra mim, não encontraram um único caso de corrupção”, afirmou.

Condenação

Jeanine Añez foi condenada em junho de 2022 a 10 anos de prisão pelos crimes de descumprimento de deveres e resoluções contrárias à Constituição. A Justiça boliviana entendeu que sua ascensão à Presidência, após a renúncia de Evo Morales em novembro de 2019, configurou ruptura da ordem constitucional.

Naquele período, o país atravessava forte instabilidade política. Os opositores de Morales acusavam o então presidente de fraude eleitoral para tentar garantir um quarto mandato consecutivo, o que ele negava. Após assumir o governo interino, Añez enfrentou protestos de movimentos sociais e camponeses ligados ao ex-mandatário. Uma investigação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) atribuiu ao início de seu governo 35 mortes em confrontos durante manifestações.

Com informações da Unitel TV.