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Cripam lança Cartilha contra abuso sexual e vítima aos 05 anos, jovem ressalta importância: “senti na pele”

Leonardo Cabral em 29 de Novembro de 2021

Leonardo Cabral/ Diário Corumbaense

Evento na Cripam lançou a cartilha de orientação

A Cripam (Casa de Recuperação Infantil Padre Antonio Müller) lançou uma Cartilha de prevenção e combate ao abuso e violência sexual contra crianças e adolescentes. Durante o evento, Shirley Pessoa Rojas, de 23 anos, falou do abuso sofrido aos 5 anos de idade. Ela disse que o sentimento de dor ainda persiste. Bastante nervosa e emocionada, Shirley (que preferiu não ser fotografada) disse que, graças ao apoio recebido nesses anos todos, conseguiu forças para lutar contra este tipo de crime e crescer na vida pessoal e profissional.  Para ela, a cartilha lançada na última semana, é “sinônimo de esperança”.

“Só quem passa por uma situação dessa sabe como é, sabe o sentimento. Aos cinco anos de idade eu vivi isso na pele e em um período muito importante na vida de uma criança, da infância. Na época, a minha família não tinha acesso a informações, mas era uma família bem estruturada (pai, mãe, irmãos e avós). Passei por situações que foram irreversíveis em minha vida, a situação aconteceu dentro da minha casa”, relembrou Shirley que ainda revelou ser a primeira vez, depois de muito tempo, que fala sobre o assunto abertamente. “Em todos esses anos, essa é a primeira vez que falo em público abertamente. É um momento de romper as barreiras e lutar contra esse crime”, afirmou ao Diário Corumbaense.

Leonardo Cabral/ Diário Corumbaense

Cartilha foi lançada para ser tornar mais um meio de combate ao abuso e exploração sexual

Prestes a se graduar em Pedagogia, pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) Campus Pantanal, Shirley, destacou que entre os apoios que recebeu, um foi primordial: a entrada no CAIJI- Cripam. “Logo depois do que passei, fui acolhida, encaminhada para terapias, tratamentos, onde pude trabalhar os danos que foram causados em minha vida. Desde então, morava com a minha avó, ela não tinha informação sobre isso, o CAIJI veio para dar esse suporte. Cada etapa, foi fundamental para o meu crescimento e desenvolvimento e trouxe novamente a esperança para uma criança que foi vítima de abuso. Não foi culpa minha, hoje, tenho essa consciência. Sinto dor em pensar no que passei, às vezes raiva, mas com a coragem de vencer sempre. Jamais vai cicatrizar, vai amenizar, mas esquecer, jamais”, contou chorando Shirley que atua como educadora social do projeto e também é agente cultural.

“Todas essas atividades me trouxeram esperança, libertação. Hoje estou preparada e defendo, quebro o silêncio e apoio todas as pessoas que precisam de ajuda. Enquanto profissional da educação, digo que temos que ser uma rede de proteção, de importância para as nossas crianças e jovens que estão perto de nós e que ao passar por uma situação pela qual passei e que não vemos, que possamos escutar. A cartilha é um instrumento significativo, importante para todos, trazer esse alerta, informação é necessário, gritar é fundamental para calar esse crime. A cartilha é muito importante para todos, enfim, para mim também, porque é sinônimo de esperança, coragem, luta de vida e transformação”, acrescentou Shirley.

A cartilha

Leonardo Cabral/ Diário Corumbaense

Gestora de Projetos Sociais da Cripam, Luciene da Costa Cunha

A cartilha é mais um instrumento para combater o abuso sexual de crianças e adolescentes, visando aumentar a consciência, orientar o maior número de pessoas e fomentar meios para o enfrentamento das diferentes formas de violência sofridas por esse público.

“Entre as várias ações que o projeto que a Cripam desenvolve, ela captou ano passado o recurso do Fundo da Criança e do Adolescente – esse fundo gerou um termo de colaboração, com foco de colaborar no combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes e como produto deste termo de colaboração, surgiu a cartilha que foi construída com a colaboração de alguns educadores e algumas crianças, que fizeram desenhos. Ela é um termo, um produto escrito que vai servir de prevenção, proteção, conscientização, sensibilização para prevenirmos as nossas crianças e adolescentes”, explicou a gestora de Projetos Sociais da Cripam, Luciene da Costa Cunha.

Durante o evento de lançamento, nove crianças, das mais diferentes idades, foram destacadas. Foi através das mãos de cada uma delas, que os desenhos foram inseridos na cartilha. “Essas imagens externam como o mundo deveria ser para elas. Demos a liberdade e os desenhos foram colocados na cartilha”, falou Luciene.

Leonardo Cabral/ Diário Corumbaense

Júlio fez desenho de uma igreja, que integra cartilha

Entre os desenhos, estava o de Júlio Aparecido Medina Ribeiro, de 14 anos. Com a imagem de uma igreja, o desenho dele aparece logo na introdução da cartilha. Ele disse que foi uma surpresa e está muito orgulhoso de fazer parte desse momento.

“Desenhei uma igreja, pois como estamos próximos do Natal, que representa o nascimento de Cristo, encontramos a esperança de um mundo melhor para vivermos. Fiquei bastante emocionado em poder ver meu desenho fazendo parte dessa luta, que é a conscientização para que não haja abuso contra as nossas crianças”, falou Júlio que participa de projetos como capoeira, filmes, pintura, desenho e educação física. Na insitutição. 

Leonardo Cabral/ Diário Corumbaense

Orgulhosa do "neto-filho", Elaine disse que procura sempre orientar o menino

Outro que também colaborou com a cartilha, foi o Kauan. Orgulhosa do "neto-filho", Elaine Bejarano Hurtado, contou que sempre busca auxiliar o menino com muitas informações. “É uma criança carinhosa e a gente trabalha com ele o que é certo e errado. Falo para não deixar pessoas estranhas encostarem nele. Auxilio ao máximo. Acredito que com o desenho, um coração, que ele fez, tem muito amor em casa e o coração com certeza ele quis transmitir esse amor e carinho, principalmente a proteção com o próximo”, disse.

A cartilha é composta por várias informações e orientações de como combater o crime de abuso e violência sexual contra crianças e adolescentes. Ainda reforça com uma frase: “Quebre o silêncio!”, fazendo menção em relação às denúncias que devem ser feitas através do Disque 100; Conselho Tutelar- 0800 647 4488; Daiji- 3234-9900; Polícia Militar – 190; Creas- 3907 5586; Cripam/CAIJI - 3232-0290; Escolas e Unidades Básicas de Saúde.

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