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Setembro Verde destaca possibilidade de doação de órgãos em vida por pessoas idosas

Da Redação com assessoria de imprensa em 25 de Setembro de 2026

Divulgação

Quase 50 mil pessoas aguardam a doação de um órgão no Brasil, segundo dados do Sistema Nacional de Transplantes

A campanha Setembro Verde reforça a importância da doação de órgãos e tecidos, um ato que pode salvar vidas e contribuir para a recuperação da saúde de milhares de pessoas. No Brasil, além da doação realizada após a morte, também é possível doar determinados órgãos e tecidos em vida, inclusive por pessoas idosas.

No ano passado, o país registrou 4.335 doadores efetivos, alcançando a marca de 20,3 doadores por milhão de população (pmp), o maior número já registrado na história brasileira. Apesar disso, 49.489 pessoas aguardam atualmente por um transplante, segundo dados do Sistema Nacional de Transplantes.

Não existe idade máxima estabelecida de forma geral para ser um doador vivo. Pessoas com 60 anos ou mais também podem ser avaliadas, desde que apresentem condições de saúde que permitam a realização do procedimento com segurança.

De acordo com o enfermeiro e coordenador da equipe de Doação de Órgãos e Tecidos do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS/HU Brasil), Guilherme Fernandes, o processo de avaliação de um idoso segue os mesmos princípios aplicados aos demais doadores, mas pode exigir uma investigação ainda mais detalhada.

“A doação em vida de órgãos por parte de idosos segue os mesmos critérios de qualquer pessoa, verificando-se a viabilidade e se não existe contraindicação, mas é preciso ter uma análise criteriosa para não causar danos à saúde desse doador. Esse é o principal critério médico”, explica.

Avaliação é individualizada

Não existe um exame único capaz de determinar se uma pessoa idosa está apta ou não a doar um órgão. A avaliação é individualizada e considera o estado geral de saúde e as condições específicas do potencial doador.

Entre os procedimentos estão exames de sangue e urina, avaliação da função renal, exames de imagem e avaliação cardiovascular. A equipe médica também analisa a expectativa de vida, a possibilidade de o doador permanecer saudável após o procedimento e se os riscos relacionados à cirurgia são considerados aceitáveis.

A legislação brasileira permite a doação entre parentes até o quarto grau e entre cônjuges sem necessidade de autorização judicial. Nos casos em que não há esse grau de parentesco, a doação também pode ocorrer, mas depende de autorização judicial.

Quais órgãos podem ser doados em vida

A segurança do doador e do receptor é o principal critério nos transplantes realizados com doadores vivos. Por isso, além de verificar se o órgão é adequado para o receptor, a equipe médica precisa avaliar se a retirada poderá ser feita sem provocar riscos considerados inaceitáveis ao doador, tanto no curto quanto no longo prazo.

Segundo Guilherme Fernandes, os órgãos e tecidos que podem ser doados em vida incluem um dos rins, parte do fígado, parte do pulmão e medula óssea, conforme as condições e os critérios específicos de cada procedimento.

A idade pode ser um dos fatores considerados na avaliação. Entretanto, o avanço da idade, isoladamente, não significa que a pessoa esteja automaticamente impedida de doar.

“Com o avanço da idade, pode haver maior probabilidade de doenças como hipertensão, diabetes ou alterações da função renal. Por isso, a investigação precisa ser ainda mais detalhada”, explica o enfermeiro.

Ainda segundo Guilherme, dependendo do órgão, existem critérios específicos de idade. No caso da doação de parte do fígado, por exemplo, há uma faixa etária considerada adequada, entre 16 e 50 anos.

Já para a doação de um dos rins, não há limite máximo de idade. Nesse caso, as condições de saúde do doador são determinantes para avaliar a possibilidade do procedimento.

“A idade avançada pode contraindicar a doação de órgãos em vida se ela comprometer as condições ideais do doador, além de expor essa pessoa a um procedimento que, pela idade avançada, possa ser prejudicial”, ressalta Guilherme.

Ele acrescenta que as condições do órgão também precisam ser consideradas em relação ao receptor. “Muitas vezes, esse órgão doado de uma pessoa em idade avançada também não está nas melhores condições para o receptor. Mas isso é algo que precisa ser analisado e discutido pela equipe médica e de transplante, juntamente com doador e receptor”, afirma.

Para verificar as condições dos órgãos e tecidos, são realizados exames laboratoriais e de imagem. Os doadores também passam por exames sorológicos para identificar possíveis doenças que possam contraindicar a doação.

Família atua como rede de apoio

A idade do doador não altera as exigências legais relacionadas à autorização. Nos casos previstos pela legislação para parentes e cônjuges, não é necessária autorização judicial. Quando não há o grau de parentesco previsto em lei, pode ser necessária autorização da Justiça.

A família pode exercer um papel importante como rede de apoio durante o processo de decisão, mas a doação em vida possui regras diferentes da doação de órgãos após a morte.

“Para ser doador vivo basta ser maior de idade, então, ao contrário dos casos em que o doador é um paciente que faleceu, não há necessidade de autorização”, conclui Guilherme Fernandes.

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