Campo Grande News em 19 de Agosto de 2026
Arquivo pessoal

Sidnei (de verde) ao lado de seus pais José e Natalina e irmã Ana
Ainda tentando assimilar o que aconteceu, o advogado pede um tempo para respirar antes de começar a falar sobre a família. “Nós somos uma família pequena, do interior de São Paulo. O pai, a mãe e quatro filhos. Inclusive o Valter está nesse momento lá no Imol, fazendo a coleta de sangue para fazer o DNA e identificar os corpos”, começa a explicar.
Os quatro viajavam para Rondônia, onde participariam da cerimônia de casamento de Sidnei, marcada para sexta-feira (21). “Minha esposa está grávida de seis semanas. Eles estavam todos felizes porque já houve outras dificuldades, outras tragédias em nossa casa.”
Dos quatro netos de José e Natalina, dois morreram ainda na adolescência. Em 2013, a filha de César, que tinha 13 anos, morreu após descobrir um tumor na cabeça. A outra perda foi o filho de Sidnei, que tinha 17 anos e morreu após levar um choque elétrico.
“Eles estavam vindo todos alegres para o casamento aqui em Ariquemes (RO). Nós não sabemos se vai ter velório. Não sei se vai mudar alguma coisa ou não. A gente já conversou com o padre sobre isso. Era um desejo da minha mãe. Era vontade dela ver o filho casando na igreja, como ela sempre quis. Tadinha, não pode realizar.”
Sidnei comenta que ainda não “caiu a ficha” sobre a morte dos pais e irmãos. “Eu perdi mais da metade da minha família. Eram pai, mãe, quatro filhos e dois sobrinhos. Foram quatro, ficou metade. A ficha ainda não caiu.”
O advogado conta que soube do acidente pela televisão. A preocupação com a família, no entanto, começou quando ele não conseguiu mais contato com a mãe e o irmão, que costumavam avisar as cidades por onde estavam passando.
“Quando foi 18h eu olhei o celular e falei: ‘Cadê vocês?’ E ninguém me respondeu. Achei que deviam estar na estrada, mas já achei estranho. Na segunda comecei a ligar para o meu irmão, para o meu irmão que ficou e para meu cunhado”, conta.
Depois de ver a reportagem, por volta de 12h de segunda-feira, a família entrou em contato com a PRF (Polícia Rodoviária Federal), com a Polícia Civil e também com a reportagem do Campo Grande News em busca de informações.
“O nosso conforto, o que nos tranquilizava, era que falavam que eram três pessoas no Etios. Na segunda à noite conseguimos achar o número do chassi e da placa do carro deles e falamos com a PRF e confirmamos que era a mesma numeração.”
Juliano Almeida/Campo Grande News

Veículo destruído pelo impacto e pelo incêndio após o grave acidente que deixou quatro mortos na BR-163
César era engenheiro agrônomo, mestre em Agricultura Tropical e Subtropical e tinha trajetória na pesquisa científica pública do Estado de São Paulo. Ele deixa esposa e um filho de 25 anos. Ana também deixou o esposo e uma filha de 15 anos.
“Aquilo foi uma fatalidade. Daqui para lá ia a carreta de combustível e o meu irmão vinha logo atrás. Essas duas carretas bateram uma na outra, houve uma parada brusca e não deu tempo de ninguém frear. O carro branco ainda conseguiu parar, mas o preto não, que era o carro do meu irmão… morreram quatro inocentes.”
Para Sidnei, os quatro integrantes da família serão lembrados pela fé. “Morreu uma família de fé, religiosa. O meu pai era um homem muito bom, ele era capaz de dar o sangue dele para não fazer mal a uma formiga. Meu irmão era supercuidadoso. A minha irmã é superzelosa. Uma família que fazia questão de estar juntos.”
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