Campo Grande News em 04 de Agosto de 2026
Osmar Veiga/CG News

Meteorologista apresenta dados e previsões sobre o El Niño
Coordenador da Vigilância em Saúde Ambiental e Toxicológica da SES (Secretaria de Estado de Saúde), Karyston Adriel Machado explicou que foi criado um plano chamado AdaptaSUS, voltado à adaptação do Sistema Único de Saúde às mudanças climáticas. A primeira etapa será um diagnóstico das melhorias necessárias nas unidades.
“É um plano de enfrentamento. Vamos fazer um diagnóstico dessas unidades de saúde, identificar o que pode melhorar e capacitar os profissionais para reconhecer quando determinado agravo à saúde está relacionado às condições climáticas. Em um dia muito quente, qual é a maior possibilidade? Em um dia muito frio, como a gente identifica e como atende? O AdaptaSUS identifica as fragilidades dos serviços de saúde e aponta como vamos nos adaptar diante das mudanças climáticas”, resumiu.
Probabilidades
Ao apresentar dados da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), a meteorologista e doutora em eletricidade atmosférica Ana Paula Paes lembrou que efeitos associados ao El Niño já foram observados nas chuvas intensas no Rio Grande do Sul e nos vendavais no Rio de Janeiro.
Ela alertou que os eventos extremos deixaram de ser raridade. “O clima extremo não é mais uma exceção. Com as mudanças climáticas, estamos observando fenômenos cada vez mais intensos. Sabemos que haverá El Niño. A pergunta é: com qual intensidade?”, afirmou.
Segundo os dados apresentados pela especialista, há 97% de chance de permanência do El Niño até o início de 2027. A probabilidade de o fenômeno atingir forte intensidade em setembro, outubro e novembro deste ano é de 81%. O pico está previsto para outubro.
Em Mato Grosso do Sul, a previsão é de chuvas acima da média entre agosto e outubro. Em novembro e dezembro, as temperaturas devem ficar acima ou muito acima da média. “Isso significa que teremos menor umidade do ar, o que pode favorecer o aumento das queimadas”, avisou.
Ana Paula reforçou que é preciso atenção aos monitoramentos, às previsões e aos alertas para diminuir chances de danos. “A previsão não serve apenas para dizer se vai ou não chover. Serve também para reduzir perdas”, finalizou.
MS ainda não viveu grande desastre
O coronel Hugo Djan Leite, da Defesa Civil Estadual, afirmou durante o evento que Mato Grosso do Sul ainda não enfrentou um desastre climático de grandes proporções.
“Nós somos muito abençoados. Ainda não tivemos grandes desastres como os registrados nos estados vizinhos. A sociedade como um todo ainda não viveu um grande desastre”, frisou.
Segundo ele, a exceção são os incêndios florestais. “Nosso desastre está pulverizado, espalhado durante todo o ano”, completou.
Diretor-presidente da Agems, Carlos Alberto Assis reforça o objetivo da instalação da "Sala de Guerra" no Estado. "É para conhecimento, planejamento, entender o que pode acontecer. Deus queira que não aconteça, mas que a gente esteja preparado", finalizou.
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