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II Romaria Nacional do Cerrado e I Romaria do Pantanal mobilizam defesa das águas e dos territórios em Corumbá

Leonardo Cabral em 02 de Junho de 2026

Reprodução

Evento inicia no dia 3 e vai até 6 de junho em Corumbá

As margens do rio Paraguai serão palco, no dia 6 de junho, da II Romaria Nacional do Cerrado e da I Romaria do Pantanal, evento que reunirá comunidades, movimentos sociais, lideranças religiosas e povos tradicionais em defesa dos territórios das águas. Com o tema “No Cerrado e Pantanal, correm os segredos sagrados das águas”, a romaria destaca a importância dos rios, nascentes e áreas úmidas para a vida, a cultura e a espiritualidade dos povos desses biomas.

Organizada pela Articulação das Comissões Pastorais da Terra (CPTs) do Cerrado, em parceria com o Regional Mato Grosso do Sul e a Diocese de Corumbá, a iniciativa propõe um momento de reflexão, denúncia e anúncio, fortalecendo a luta pela justiça socioambiental e pela preservação dos territórios.

A programação tem início antes da romaria principal. Nos dias 3 e 4 de junho, serão realizados intercâmbios entre comunidades de diferentes regiões. Na noite do dia 4, cerca de 400 participantes vindos de Mato Grosso do Sul e dos outros oito estados que compõem o Cerrado serão acolhidos para um momento de espiritualidade e integração.

Já no dia 5, os participantes se reunirão em uma grande plenária para compartilhar histórias, memórias, ancestralidades e experiências de luta, na Paróquia Dom Bosco, a partir das 8h30. A programação inclui ainda a realização da Feira Cultural e Ecológica, no Jardim da Independência, a partir das 17h. O espaço será voltado à valorização das expressões culturais, dos saberes populares e das iniciativas sustentáveis desenvolvidas pelas comunidades.

No dia 6 de junho, acontece a Romaria do Cerrado e do Pantanal, com saída da Igreja São Pedro, no bairro Cervejaria, às 8h30. A chegada ao Porto Geral está prevista para 10h e às 10h30 será a celebração final do evento.

A romaria

Segundo os organizadores, o tema da romaria busca reforçar o compromisso com o cuidado da Casa Comum e das fontes da vida, ao mesmo tempo em que denuncia injustiças socioambientais e fortalece a esperança coletiva construída pelos povos em seus territórios. A proposta está em sintonia com a ação evangelizadora da Igreja no Brasil e com a exortação apostólica do Papa Leão XIV, que destaca a importância de reconhecer nos pobres a face de Cristo e garantir seus direitos fundamentais.

O encontro também pretende ampliar o debate sobre a necessidade de políticas públicas capazes de enfrentar as causas estruturais da pobreza, combater o trabalho escravo contemporâneo e enfrentar a violência contra as mulheres.

De caráter ecumênico e macroecumênico, a romaria valoriza a diversidade religiosa e espiritual dos povos do Cerrado e do Pantanal. Mais do que um momento de celebração, o evento reafirma sua vocação profética ao promover a organização popular, fortalecer a luta por direitos e colocar no centro o Bem Viver e a caminhada histórica das comunidades da terra e das águas.

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