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Avistamentos de onça em área urbana podem se repetir, dizem especialistas

Rosana Nunes em 04 de Maio de 2026

Divulgação

Imagens da captura, avaliação clínica e soltura da onça

O Grupo Técnico Onças Urbanas Corumbá-Ladário confirmou que é possível que novas aparições de onça-pintada ocorram em Corumbá ou Ladário. Um animal vinha sendo visto na região do Mirante da Capivara, Cacimba da Saúde e outras localidades ao longo do Canal Tamengo desde janeiro de 2025 e entre os dias 2 e 3 de maio (sábado e domingo) acabou sendo capturado e levado para a região de corredor de biodiversidade na Serra do Amolar, distante cerca de 200 km de Corumbá.

As instituições que integram o grupo técnico promoveram coletiva de imprensa nesta segunda-feira, 4 de maio, no Ibama, em Corumbá, para explicar como ocorreu a captura e detalhar os próximos passos do trabalho de monitoramento da onça-pintada fêmea, de cerca de 4 anos e peso de 72 kg.

Durante a coletiva, estiveram presentes Jussara Barbosa da Fonseca Alves,  chefe da Unidade Técnica do Ibama Corumbá; Ângelo Rabelo, diretor-presidente do Instituto Homem Pantaneiro (IHP); general de brigada, Rafael Novaes da Conceição, comandante da 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal; Cristina Fleming, diretora-presidente Fundação de Meio Ambiente do Pantanal (Prefeitura de Corumbá), e Diego Viana, pesquisador da Jaguarte.

Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Grupo Técnico Onças Urbanas detalhou captura e próximos passos

“É bem possível que novas aparições de onça-pintada ocorram em Corumbá ou Ladário, pois esses registros são históricos, e ocorrem há pelo menos 20 anos. Isso porque a espécie faz parte da fauna do Pantanal e possui grandes áreas de vida. As onças se deslocam por grandes distâncias em busca de alimento, território e parceiros, o que pode levá-las a se aproximar de áreas urbanas ou periurbanas. Além disso, fatores como a dispersão de indivíduos jovens e mudanças ambientais — como cheias, secas ou alterações no habitat provocados por incêndios, por exemplo — também influenciam nesses deslocamentos e estabelecimento de área de vida. Por isso, esses registros não são eventos isolados, mas parte da dinâmica natural da espécie na região, demandando um Plano de Coexistência para as áreas urbanas e periurbanas”, detalharam os pesquisadores.

Por conta desse contexto histórico, o Grupo Técnico continua em funcionamento na região pantaneira. São, atualmente, 26 membros das seguintes instituições: Ibama Superintendência MS, Prevfogo/Ibama, ICMBio/CENAP, Polícia Militar Ambiental de Corumbá, Fundação de Meio Ambiente do Pantanal, Defesa Civil, Jaguarte e Instituto Homem Pantaneiro.

Sobre a captura, o planejamento da operação levou cerca de 4 meses e os últimos detalhes foram ajustados há 15 dias. A operação envolveu ao menos 10 instituições diretamente, através da participação de médicos veterinários, biólogos, técnicos e agentes públicos, além do apoio do Comando Militar do Oeste, que cedeu um helicóptero para o transporte do felino.

Divulgação

Onça-pintada foi transportada de helicóptero para a Serra do Amolar

Para garantir a captura, foram utilizadas duas armadilhas, sendo uma para captura e uma para transporte, ambas foram cedidas pelo Instituto Reprocon, através da Polícia Militar Ambiental. Além disso, a operação contou com o apoio do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS), do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul - (Imasul), que colocou uma equipe e recinto à disposição no caso de necessidade de tratamento clínico do animal.

Monitoramento

O monitoramento da onça-pintada a partir de agora vai ser feito por meio de colar GPS/VHF, que permitirá o acompanhamento pós-soltura, além do uso de armadilhas fotográficas instaladas na região da Rede Amolar, na Serra do Amolar.

O tempo que o colar GPS permanece no animal pode mudar conforme o objetivo do estudo. Esse tempo geralmente varia entre 6 meses e 2 anos, dependendo da configuração do equipamento. Espera-se monitorar a onça-pintada por pelo menos 1 ano.

Esse equipamento tecnológico tem custo de cerca de R$ 70 mil reais, sem a inclusão dos custos com o servidor da empresa fornecedora do equipamento.

Nome do felino

Com a captura, a onça-pintada fêmea recebeu o o nome de Corumbella, em alusão a espécie fóssil Corumbella werneri, cnidário Ediacarano com cerca de 553 milhões de anos, considerado um dos primeiros animais pluricelulares da Terra. 

Esse fóssil foi descoberto na região de Corumbá, sendo considerado um dos mais importantes do Brasil nesse período. Seu nome significa "A Bela de Corumbá".

Com informações do IHP e Associação Integra Pantanal.

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