Leonardo Cabral em 17 de Abril de 2026
Divulgação/Arquivo PF

Bolivianos em situação irregular que tentavam chegar a São Paulo em ônibus clandestino
Essa realidade se intensifica na fronteira entre a Bolívia e Corumbá, em Mato Grosso do Sul. Nos últimos meses, cresceu o transporte terrestre irregular de estrangeiros - em sua maioria bolivianos - que entram no Brasil pelas cidades de Puerto Quijarro e Puerto Suárez, utilizando Corumbá como porta de entrada.
Grande parte desses migrantes tem como destino centros urbanos como Rio de Janeiro e São Paulo, onde muitos acabam vivendo e trabalhando em condições precárias, com risco de exploração laboral, especialmente no setor têxtil.
Segundo a Polícia Federal, a região funciona como um importante corredor de passagem. Há registros frequentes de detenções de estrangeiros em situação irregular em ônibus com destino a outros estados, principalmente São Paulo. Para chegar até lá, muitos utilizam transporte clandestino, burlando a fiscalização migratória.
Diante desse cenário, a Polícia Federal informou o reforço das ações de fiscalização na região, com foco no combate ao transporte irregular de passageiros. Ônibus clandestinos, que operam sem autorização, costumam realizar embarques e desembarques em locais improvisados, como galpões e ruas com pouca movimentação.
De acordo com o chefe da Polícia Federal em Corumbá, delegado Alexsandro Pereira de Carvalho, as operações têm sido intensificadas por meio de ações conjuntas com outros órgãos, visando coibir irregularidades migratórias e desarticular organizações criminosas.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atua na verificação da regularidade de empresas, veículos e rotas, além de combater o uso de transporte para deslocamento irregular de pessoas. Já a Receita Federal reforça o controle aduaneiro e tributário, contribuindo para o enfrentamento de crimes transfronteiriços.
“As investigações mostram que muitos estrangeiros, especialmente bolivianos, são aliciados e levados clandestinamente a grandes centros urbanos, onde acabam submetidos a condições degradantes de trabalho, em alguns casos análogas à escravidão. Tais operações possuem efeito direto na proteção de direitos humanos”, afirmou o chefe da PF ao Diário Corumbaense.
Ainda de acordo com o delegado, motoristas flagrados transportando passageiros de forma irregular respondem pelo crime de promoção de migração ilegal, com pena de dois a cinco anos de prisão. Os veículos também são apreendidos, além da aplicação de multas pela ANTT, com valores a partir de R$ 7 mil.
Já os estrangeiros em situação irregular são encaminhados ao posto de controle migratório, notificados a deixar o país em até 60 dias e sujeitos a multas que variam de R$ 100 a R$ 5 mil.
Além das sanções, muitos migrantes enfrentam prejuízos financeiros, como perda do valor da passagem e custos com estadia após a interrupção da viagem.
Uso do transporte clandestino em outros crimes
Além do transporte irregular de passageiros, a Polícia Federal aponta que ônibus clandestinos têm sido amplamente utilizados para o tráfico de drogas, o que pode agravar a responsabilização de motoristas e responsáveis pelas empresas envolvidas. Somente nos primeiros meses de 2026, cerca de 40 bolivianos foram presos por tráfico em veículos desse tipo.
De acordo com as investigações, muitos estrangeiros aceitam participar do esquema e assumem o papel de “mulas”. Entre as formas mais comuns de ocultação estão cápsulas com drogas - ingeridas ou escondidas em bagagens e compartimentos adaptados, evidenciando tentativas de driblar a fiscalização.Outro problema recorrente é a entrada irregular de alimentos no país. Produtos proibidos têm sido frequentemente apreendidos e inutilizados em ações conjuntas de fiscalização com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), como forma de evitar riscos sanitários e de contaminação.
O chefe da Polícia Federal em Corumbá, Alexsandro Pereira de Carvalho, destacou que a atuação integrada dos órgãos de fiscalização deve reduzir significativamente essas práticas ilícitas. Segundo ele, as ações combinam repressão, controle e orientação, com o objetivo de fortalecer a segurança na fronteira e dificultar a atuação de organizações criminosas que exploram o transporte irregular de pessoas.
A Polícia Federal reforçou ainda que as operações seguirão de forma contínua, com respeito à legislação migratória e à dignidade dos envolvidos.
Apesar do avanço das irregularidades, o fluxo migratório regular segue expressivo. Entre janeiro e abril de 2026, 24.503 bolivianos ingressaram legalmente no Brasil pela fronteira. O maior volume foi registrado em janeiro, com 11.798 entradas, impulsionado pelo período de férias escolares na região.
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