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Namorado dá versões contraditórias sobre morte de subtenente

Campo Grande News em 06 de Abril de 2026

Paulo Francis/CG News

Suspeito sendo conduzido para a delegacia

O namorado (e não marido como informado inicialmente) da subtenente da Polícia Militar, Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, apresentou versões contraditórias sobre a morte da vítima, encontrada com um tiro na cabeça dentro de casa, no Conjunto Habitacional Estrela Dalva I, em Campo Grande, nesta segunda-feira (6).

Conforme apurado no local, o homem, de 50 anos, deu ao menos quatro versões diferentes às equipes policiais. Inicialmente, afirmou que a subtenente pegou um revólver da corporação e tentou tirar a própria vida. Segundo ele, ao tentar impedir, segurou a mão da vítima, momento em que o disparo ocorreu.

A versão passou a ser questionada após relatos de testemunhas. Uma vizinha pulou o muro da residência ao perceber a situação e acionou um policial à paisana, que teria encontrado o suspeito com a arma em mãos. Em outro momento, o homem disse que o revólver estava no chão, o que reforçou as contradições.

Diante das inconsistências, o suspeito foi encaminhado para a delegacia, algemado e com muita comoção pública. O caso é investigado pela Polícia Civil, que não descarta a hipótese de feminicídio.

Ainda conforme apurado pela reportagem, o homem possui antecedentes por roubo, homicídio e violência doméstica. Ele não é policial militar.

Conforme informação dos agentes no local, o casal mantinha relacionamento há cerca de um ano e meio e morava no imóvel, que pertence à vítima, há aproximadamente um ano e quatro meses. Segundo a Polícia Militar, não havia registros anteriores de ocorrências envolvendo os dois.

Reprodução/Redes Sociais

Marlene foi encontrada morta na casa onde morava

Vizinhos relataram histórico de brigas frequentes. “Eles brigavam muito, eu escutava ele gritando”, contou uma moradora. Segundo ela, a subtenente era discreta e bem-quista. “Ela nunca fez escândalo, era muito querida”.

Outros moradores afirmam que, após o relacionamento, a vítima teria se afastado de amigas. Também há relatos de comportamento agressivo recente por parte do homem. “Esses dias ele estava surtado, chutando o portão”, disse outro vizinho.

Marlene ingressou na Polícia Militar na década de 1990 e integrou uma das primeiras turmas femininas da corporação no Estado.

Em nota, a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul informou que recebeu a morte com profundo pesar e se solidarizou com familiares, amigos e colegas de farda. A corporação pediu respeito à dor da família e cautela na divulgação de informações não confirmadas, destacando que as circunstâncias do caso ainda estão sendo apuradas. O Comando-Geral também informou que equipes foram designadas para prestar suporte aos familiares.

Se o caso for confirmado como feminicídio, será o primeiro registro em Campo Grande e o nono em Mato Grosso do Sul neste ano.