Campo Grande News em 24 de Março de 2026
Arquivo/Campo Grande News

Alcides Bernal se apresentou à Polícia depois do crime
Ele será encaminhado sob escolta para o Presídio Militar Estadual, onde permanecerá em uma cela especial e deve ser apresentado em audiência de custódia nesta quarta-feira (25), quando a Justiça vai avaliar a legalidade da prisão e decidir se ele continuará preso ou poderá responder ao caso em liberdade.
A defesa, representada pelo advogado Wilton Acosta, sustenta que Bernal agiu em legítima defesa. Afirma que ele foi previamente alertado por uma empresa de segurança sobre uma possível invasão.
O advogado diz que o ex-prefeito foi até o imóvel onde mora e mantém o escritório e encontrou pessoas "arrombando" o portão e a porta da residência. “Ele foi alertado pela segurança, foi até sua casa e encontrou as pessoas arrombando. Foi xingado, maltratado e, nesse nervosismo, infelizmente se defendeu da pior maneira possível”, declarou.
Ainda de acordo com a defesa, o ex-prefeito possui porte de arma regular. Acosta lembra que Bernal procurou a polícia na sequência. "Ele se apresentou voluntariamente e está à disposição da Justiça”, disse.
Sobre o documento extrajudicial encontrado no carro da vítima, que previa desocupação do imóvel, o advogado afirmou que a questão será discutida judicialmente e criticou a forma como a tentativa de posse foi conduzida. “A notificação não obriga a desocupação. Isso tem que ser discutido no processo legal. A maneira como foi feita essa abordagem, infelizmente, gerou toda essa situação”, afirmou.
Segundo ele, a casa tem câmeras de segurança que terão as imagens periciadas para entender o que ocorreu de fato. O homem levou dois tiros e caiu na varanda da casa. Equipes tentaram a reanimação por 25 minutos, mas ele não resistiu e morreu no local.
O documento citado é uma notificação extrajudicial, datada de 20 de fevereiro de 2026, que estabelecia prazo de 30 dias para desocupação “voluntária” do imóvel, já expirado. O texto não tem força de ordem judicial de despejo, ou seja, não autoriza retirada forçada.
A presença de um chaveiro no local, usada pela defesa como indicativo de invasão, está ligada à tentativa de posse por parte da vítima, que havia adquirido o imóvel em leilão da Caixa Econômica Federal.
Antes do caso, Bernal já havia procurado a Polícia Civil para relatar suposta perseguição e tentativas de invasão no imóvel onde morava, ponto que agora integra a linha de defesa.
Por ser advogado, Bernal deve ser encaminhado a uma sala de Estado Maior, espaço destinado a profissionais da advocacia em situação de prisão, onde aguardará a audiência de custódia e as próximas decisões da Justiça.
Já testemunha que presenciou a morte do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, afirmou à Polícia Civil que Bernal chegou ao imóvel e atirou. Roberto foi atingido na região do abdômen e costas.
O relato foi prestado durante a investigação e apresenta versão diferente da declarada pelo ex-prefeito em interrogatório. Segundo a testemunha, Bernal entrou na casa e efetuou os disparos de forma imediata. “Ele já chegou atirando. Não deu chance de defesa”, afirmou a testemunha à polícia.
O caso ocorreu em um imóvel de alto padrão que havia sido levado a leilão por dívidas e se insere em um conjunto mais amplo de processos nas esferas cível, administrativa e familiar acumulados ao longo dos últimos anos. A casa, avaliada em R$ 3,7 milhões, havia sido levado a leilão em 2025 por conta de pendências financeiras.
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