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Em depoimento, homem nega que tentou sequestrar crianças e diz que cachorro causou confusão

Rosana Nunes e Leonardo Cabral em 09 de Março de 2026

Divulgação/Polícia Militar

Homem foi preso na empresa onde trabalha junto com a arma de fogo, munições, celulares, touca e máscara

O homem preso na noite de sábado (7), acusado de ameaçar crianças com uma espingarda e tentar obrigá-las a entrar em uma caminhonete, na rua Major Gama esquina com a Rio Grande do Norte, no bairro Guatós, em Corumbá, negou as acusações em depoimento no domingo (8) ao delegado da Polícia Civil, Guilherme Oliveira Pena. 

A ocorrência foi atendida por equipe da Rádio Patrulha de Ladário, com apoio da Força Tática da Polícia Militar. 

De acordo com o registro policial (BO 1058/2026) ao qual o Diário Corumbaense teve acesso, uma menina de 11 anos, relatou que o homem que conduzia uma caminhonete branca e adesivo com a inscrição de uma empresa, aproximou-se de um grupo de crianças que estava na rua e, armado com uma espingarda,  teria ordenado que elas entrassem no veículo.

Diante da recusa, ele colocou uma máscara do personagem de filme de terror “Jason”, apontou a arma em direção à menor e ainda atiçou um cachorro que estava dentro da caminhonete contra as crianças. Assustadas, elas correram do local. Ainda conforme os relatos, o homem teria tentado abordar outras crianças que estavam nas proximidades. Ao perceber a situação, a menina de 11 anos começou a gritar para que elas corressem.

Um morador, de 39 anos, que presenciou a cena se aproximou do veículo. Nesse momento, o motorista já estava sem a máscara e apontou a arma em direção ao homem. A testemunha conseguiu segurar o cano da espingarda e questionou a atitude dele dizendo: "Tá maluco, tá querendo pegar as crianças?". Durante a intervenção, o cachorro que estava no veículo também foi atiçado a avançar contra ele. Em seguida, o indivíduo deixou o local com a caminhonete.

Com as características do veículo e do acusado — descrito como um homem alto, branco, careca e com barba — as equipes iniciaram diligências pela região. Imagens de câmeras de segurança de uma residência próxima registraram a passagem da caminhonete por volta das 19h55, confirmando as informações repassadas pelas vítimas.

As equipes se deslocaram até a empresa onde Paulo Sérgio trabalha e mora. No estacionamento, os PMs localizaram uma caminhonete com as mesmas características e placa informadas pelas vítimas. No interior do veículo, foi possível ver no painel a máscara do personagem “Jason”.

Ao perceber a presença policial, de acordo com o boletim de ocorrência, o homem teria tentado voltar para dentro da empresa e desobedeceu à ordem de abordagem, tentando fugir em direção ao alojamento. Os policiais precisaram usar força moderada para contê-lo, já que ele reagiu com chutes e socos contra a equipe.

Durante buscas no alojamento, os policiais militares localizaram a espingarda, várias munições calibre 12 e uma munição calibre .38, além do cachorro citado pelas vítimas. Na caminhonete também foram encontrados uma balaclava preta (touca) e mais munições.

Nega que tentou sequestrar crianças

Supervisor de empresa que presta serviços a uma mineradora, Paulo Sérgio Duarte, apresentou uma versão diferente da relatada pelas testemunhas. Em depoimento, ele afirmou que estava indo para casa quando passou pela esquina onde ocorreu o episódio e que o cachorro que estava com ele acabou pulando da caminhonete.

Segundo ele, o animal teria corrido em direção a outros cães que estavam na rua, o que fez com que as crianças se assustassem e corressem. Ele relatou que abriu a porta do veículo e chamou o cachorro de volta. Ainda conforme o depoimento, nesse momento um morador se aproximou nervoso e iniciou uma discussão com ele. O homem disse que houve um bate-boca e que, depois disso, decidiu deixar o local.

O acusado afirmou que não abordou crianças e disse que desconhecia qualquer acusação de tentativa de sequestro. Ele também negou ter apontado arma para os menores.

Questionado sobre a espingarda encontrada na caminhonete, o homem confirmou que a arma era dele, mas alegou que ela não funcionava. Sobre a máscara do personagem “Jason”, encontrada no carro, ele disse que o objeto já estava dentro da caminhonete, mas negou ter colocado ou utilizado a máscara durante o episódio. Também negou ter chamado crianças para entrar no veículo.

Em relação à abordagem policial, o homem disse que não resistiu à prisão, que se assustou quando os policiais chegaram ao alojamento onde estava e que, por cerca de 30 segundos, entrou em pânico antes de ser contido pela equipe.

O caso foi registrado como ameaça, desobediência, porte de arma, tentativa de sequestro e cárcere privado.

O delegado Guilherme Oliveira Pena representou pela conversão da prisão em flagrante em preventiva (tempo indeterminado), por entender necessário manter o investigado preso após a audiência de custódia, que pode ocorrer ainda nesta segunda-feira (9).

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