Ana Paula Chuva - Campo Grande News em 07 de Março de 2026
Segundo o boletim de ocorrência, equipes da PM (Polícia Militar) e do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foram acionadas após a jovem sofrer convulsões dentro da casa do namorado, localizada na Rua Delegado Alfredo Hardman.
Quando os socorristas chegaram ao local, Ludmila estava desacordada e em estado grave, apresentando convulsões. Ela também tinha uma lesão abaixo do olho direito e cortes no pé esquerdo, que podem ter sido provocados durante as crises.
À polícia, o namorado relatou que os dois haviam discutido mais cedo, por ciúmes. Depois do desentendimento, ele disse ter visto a jovem misturar um pó branco em um copo com água e ingerir a substância, que ela teria afirmado ser cocaína. Pouco tempo depois, Ludmila começou a passar mal.
Ainda na versão do rapaz, a jovem teria tomado banho e, ao sair do banheiro, sofreu uma convulsão e bateu o rosto na porta do quarto. Em seguida, voltou a passar mal e chegou a expelir sangue pela boca enquanto aguardava a chegada do socorro. Ela foi levada para a Santa Casa onde acabou morrendo na manhã deste sábado (7).Amigos contestam
A ocorrência foi inicialmente registrada como tentativa de suicídio, com base no relato apresentado à polícia. No entanto, amigos da jovem contestam essa versão e pedem que o caso seja investigado com mais profundidade. Eles afirmam que a jovem tinha medida protetiva e chegou a registrar boletim de ocorrência contra o rapaz.
"Ele chegou a ficar preso por causa de violência contra ela. Ela tinha medida protetiva. Era muito agressivo com ela", alegaram.
Pessoas próximas a Ludmila relataram à reportagem que ela não apresentava comportamento que indicasse intenção de tirar a própria vida, levantando dúvidas sobre as circunstâncias da morte. Eles ainda afirmaram, pelo canal Direto das Ruas, que a jovem estava com um corte grande na cabeça.
“Ele falou que ela tomou água com cocaína. Tenho certeza que ela não faria isso, um amigo dele ligou e falou que ela tava passando mal. Ele disse que ela tava muito doida e que depois caiu da cama porque deu convulsão, mas eu tenho certeza que ela não fez isso. A cabeça dela estava aberta”, disse uma das amigas da vítima.
“Ela morava só com a avó e a filha. A avó já é bem de idade, não sabemos se vai conseguir fazer algo por ela. Tinha uma energia tão boa, ajudava todo mundo, era uma ótima mãe e trabalhadora”, afirmou outra amiga que prefere não se identificar.
Investigação
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por meio da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), informou que aguarda a conclusão dos laudos necroscópicos e periciais para esclarecer a morte da jovem.
A Deam destacou que até o momento não há indicativos técnicos ou periciais que confirmem a hipótese de feminicídio, mas todas as linhas investigativas permanecem abertas.
“A perícia técnica compareceu ao local e colheu os depoimentos preliminares das testemunhas e do envolvido. Embora o fato tenha sido inicialmente registrado como suicídio em razão dos relatos colhidos no local, a Polícia Civil ressalta que a investigação segue com rigorosa perspectiva de gênero”, informou em nota.
No Diário Corumbaense, os comentários feitos são moderados. Observe as seguintes regras antes de expressar sua opinião:
Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião deste site. O Diário Corumbaense se reserva o direito de, a qualquer tempo, e a seu exclusivo critério, retirar qualquer comentário que possa ser considerado contrário às regras definidas acima.