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Tráfico de maconha concentrada usa Bolívia como rota para chegar ao Brasil

Leonardo Cabral em 05 de Março de 2026

Reprodução El Deber

Droga apreendida proveniente dos Estados Unidos dentro de eletrônicos

Os serviços de inteligência da Força Especial de Combate ao Narcotráfico (Felcn) identificaram a circulação de uma nova droga conhecida como ICE, uma forma nova e extremamente potente de maconha modificada, que estaria sendo transportada dos Estados Unidos com destino ao Brasil, passando por Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. No mercado brasileiro, a substância é vendida entre US$ 13 mil e US$ 15 mil o quilo, o equivalente a aproximadamente R$ 60 mil a R$ 80 mil.

As investigações ganharam força após a apreensão de 356 quilos da droga no dia 19 de fevereiro, no Aeroporto Internacional Viru Viru. Inicialmente, acreditava-se que o entorpecente fosse maconha líquida. No entanto, análises especializadas e o compartilhamento de informações com agências internacionais confirmaram tratar-se de ICE, um derivado altamente concentrado da maconha.

Segundo a polícia, o carregamento estava camuflado entre equipamentos eletrônicos, método já utilizado por organizações criminosas que atuam no tráfico desse tipo de droga. Entre 2023 e 2024, autoridades também descobriram uma remessa semelhante, igualmente originária dos Estados Unidos, em um aeroporto no Uruguai.

Conexão com operação anterior

A descoberta no aeroporto levou investigadores à uma operação realizada em 20 de janeiro em uma empresa de segurança privada localizada na região de Villa Primero de Mayo.

Na ocasião, a Felcn apreendeu quase 80 quilos da substância, inicialmente descrita como maconha líquida. Posteriormente, exames confirmaram que o material também correspondia ao ICE.

A empresa pertence a um juiz que atualmente está preso na penitenciária de Palmasola, acusado de tráfico de substâncias controladas. No mesmo processo também figura uma ex-deputada, que permanece em prisão preventiva.

De acordo com as investigações, a ex-parlamentar teria viajado dos Estados Unidos em um avião particular fretado, transportando 32 malas cheias de moeda estrangeira, o que levantou suspeitas sobre o financiamento da operação.

Bolívia como rota de trânsito

Relatórios elaborados pela Felcn foram encaminhados ao Ministério do Governo e ao Vice-Ministério da Defesa Social e Substâncias Controladas, chefiado por Ernesto Justiniano.

Segundo as investigações, a droga é enviada dos Estados Unidos para Santa Cruz de la Sierra, cidade considerada como ponto estratégico para redes de narcotráfico. A partir daí, a carga é dividida em porções menores e transportada por via terrestre até o Brasil, onde seria destinada a consumidores de alto poder aquisitivo.

O transporte por terra, de acordo com a polícia, faz parte de uma estratégia para driblar os controles mais rigorosos nos aeroportos, considerados mais difíceis de burlar.

O vice-ministro explicou que, no início da investigação, acreditava-se que a apreensão indicava o surgimento de um novo tipo de droga no país. No entanto, as apurações mais recentes apontam que a Bolívia estaria sendo utilizada como país de trânsito, já que não há evidências de consumo interno da substância, devido ao seu alto custo.

Com informações do jornal El Deber.

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