Rosana Nunes em 23 de Fevereiro de 2026
A Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Vereadores de Corumbá leva, nesta segunda-feira (23), ao plenário do Legislativo, o relatório do procedimento ético disciplinar aberto em 9 de janeiro, para apurar o caso ocorrido no dia 27 de dezembro de 2025 envolvendo o vereador Elio Moreira Júnior e o vendedor ambulante José Elizeu.
A comissão tinha 90 dias, seguindo o que determina o Regimento Interno em casos de quebra de decoro parlamentar e quais as sanções aplicáveis, mas terminou o procedimento antes do prazo. O parecer será lido na sessão ordinária e depois deve ser votado pelos parlamentares.
O presidente da comissão é Roberto Façanha; relatora, Hanna Santana; membro Hesley Sant'Ana. Além deles, fazem parte os vereadores Jovan Temeljkovitch e Alexandre Vasconcellos na primeira e segunda suplência, respectivamente. Também na Câmara, foi protocolada uma denúncia, do suplente de Elio Júnior, Waldiney do Banco, pedindo a abertura de processo de cassação do vereador.
No âmbito da polícia judiciária, a Delegacia Regional de Polícia Civil, informou que o vereador Elio Moreira Junior cometeu os crimes de injúria (pena de detenção de 3 meses a 1 ano), ameaça (detenção de 1 a 6 meses) e dano (também detenção de 1 a 6 meses) contra José Elizeu. "Agora as próximas providências estão a cargo do Ministério Público e do Judiciário", afirmou o delegado regional, Fabrício Dias dos Santos.
Relembre o caso
A confusão envolvendo o vereador e o vendedor de salgados, ocorreu no final da tarde de sábado, 27 de dezembro (27) em frente à lanchonete da família do parlamentar, localizada na rua Delamare, centro de Corumbá.As imagens, gravadas pelo ambulante, indicam que tudo começou após uma divergência com a esposa do vereador, que estava no estabelecimento comercial. José havia parado em frente ao prédio para vender seus salgados.Durante a gravação, o vereador aparece, afirma ser o proprietário da lanchonete e acusa o homem de incomodar sua esposa. Em seguida, enquanto as imagens ainda eram gravadas, Elinho Jr. faz ameaças e quebra o isopor utilizado pelo vendedor para armazenar os salgados. O vídeo termina com o vereador e a esposa mandando que as imagens fossem apagadas.
Horas depois do ocorrido, o ambulante publicou um vídeo dizendo: "eu me alterei, eles também se alteraram, então, pessoal, não leve isso adiante". No entanto, na tarde do domingo, José Elizeu fez nova postagem em sua rede social, na qual afirmou ter sido forçado a fazer a publicação.
Já o vereador também se pronunciou por meio de vídeo e afirmou ter "perdido a cabeça".
Sobre a informação de que um policial teria forçado o vendedor a gravar o vídeo se retratando, após diligências, a Polícia Civil informou que nenhuma das testemunhas ouvidas confirmou a ocorrência de coação, ameaça, entrega de dinheiro por servidor público ou direcionamento indevido por parte da Polícia Civil, que a gravação do vídeo de retratação de José Elizeu ocorreu na parte externa da delegacia, sem a presença de policiais civis, segundo relatos convergentes e que a quantia de R$ 100,00 (ou R$ 200,00), mencionada pelo vendedor foi entregue pelo vereador a título de reparação pelos danos à bicicleta e ao isopor, conforme ele próprio declarou em depoimento.
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