Leonardo Cabral em 14 de Fevereiro de 2026
Leonardo Amaral/PMC

Cibalena nasceu com apenas quatro foliões e ao longo dos anos foi se firmando como o maior bloco de sujos do carnaval corumbaense
A concentração foi na rua Frei Mariano, entre a avenida Porto Carrero e rua Joaquim Murtinho. Em poucas horas, a multidão ocupou todo o espaço, mantendo viva a principal característica do bloco: homens vestidos de mulher e mulheres vestidas de homem, tradição seguida à risca pelos participantes. Fantasias elaboradas e improvisadas dividiram espaço em meio à irreverência que marca o Cibalena.
Ao som de sucessos da música brasileira, marchinhas e do hino oficial do bloco — composto por Ruyzinho — os foliões cantaram em coro durante a concentração e a descida pelas principais ruas do centro da cidade. “Sou atrevido, sou garanhão, sou Cibalena de coração... Hoje eu vou cibalenar...”, diz o refrão do hino.
Participante há mais de 25 anos, Helena Oliveira destacou a importância do bloco para o início da folia. “Vir ao Carnaval e não sair no Cibalena é como ir a uma cidade com praia e não entrar no mar. É tradição, é alegria e é a marca registrada do folião corumbaense”, afirmou ao Diário Corumbaense. Ela participou caracterizada conforme o figurino tradicional.
Animado, Jorge Mendes Aguero contou que, neste ano, precisou recorrer ao guarda-roupa da irmã para participar da festa com o Cibalena. Segundo ele, as roupas da mãe já não serviam mais.
“Tive que pegar a roupa da minha irmã. A da minha mãe já não entrou mais em mim, não sei se ela engordou ou se eu emagreci. A da minha irmã serviu certinho, então peguei logo a mais cara e vim. O importante é isso: ver crianças, jovens, adultos e idosos que há anos prestigiam o Cibalena. Nossas crianças crescem vendo essa tradição e aprendem a mantê-la viva. Isso aqui é patrimônio de Corumbá. Vale muito a pena brincar o Carnaval com o Cibalena”, afirmou, aos risos, acrescentando que “minha irmã vai me matar”, ao se referir à roupa emprestada.
Carregando o mastro do bloco, Elias Alencar, de 65 anos, se emocionou ao falar da responsabilidade. Segundo ele, apesar de ter recebido uma bandeira nova neste ano, optou por manter a mesma que carrega há mais de sete anos, em respeito à tradição. “Esse bloco é minha vida. Hoje sim, podemos dizer que é carnaval em Corumbá”, declarou.
Anderson Gallo/Diário Corumbaense

É tradição o bloco descer para a avenida General Rondon na noite de sexta-feira de carnaval
Homenagem aos fundadores
De acordo com o presidente do bloco, Elias Ferreira da Silva, o desfile deste ano teve caráter especial ao homenagear os fundadores Valério e Manduca, responsáveis pela criação do Cibalena na década de 1970, quando o bloco saiu às ruas com apenas quatro foliões.
A história do nome remete a um episódio curioso: Valério, dono de um bar, teria sugerido “Cibalena” ao oferecer o comprimido ao amigo Manduca, que reclamava de dor de cabeça. Ao grupo se juntaram Edinho Rachid e o radialista Jonas Lima, que alugaram um carrinho de mão, instalaram um equipamento de som e saíram pelas ruas celebrando o carnaval.
“O Cibalena é paixão que passa de geração em geração. As pessoas se preparam o ano todo para sair no bloco. Nada mais justo do que homenagear quem colocou o Cibalena nas ruas de Corumbá”, afirmou o presidente.
Rainha do Cibalena
Anderson Gallo/Diário Corumbaense

Lua, a dama da noite, eleita rainha do Cibalena em 2026
Com 39 pontos, Lua, a dama da noite foi eleita Rainha. É a segunda vez que conquista o título. “Desde 1999 saio no Cibalena. Estar aqui é renovar meus votos com o Carnaval e com esse bloco maravilhoso”, declarou.
O segundo lugar ficou com Noiva Abandonada, que somou 37 pontos, seguida pela fantasia Maromba Baby, com 34 pontos.
Reprodução
Transmissão da descida do Cibalena, comandada pelo radialista Chicão de Barros
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Marcio Ibáñez de Miranda : Muito obrigado tío Valério e seus amigos, sou Cibalena de coração
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