PUBLICIDADE

Salário de contratação caiu em 128 das 140 principais profissões no País

G1 em 08 de Julho de 2022

Divulgação

Motorista de ônibus urbano e auxiliar administrativo tiveram as maiores quedas na remuneração inicial, com perda real de 19%.

A renda do brasileiro tem sido corroída pela inflação – e são poucas as profissões em que o salário médio de contratação não teve queda real no último ano. Em apenas 12 das 140 ocupações mais relevantes do mercado de trabalho formal a remuneração média de admissão subiu mais que a inflação no acumulado em 12 meses, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).   

O estudo foi feito com base nos dados oficiais do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, a partir da análise das profissões com maior volume de contratações. Juntas, as 140 classificações do recorte são responsáveis atualmente por 72% da ocupação do trabalho com carteira assinada no país. 

O levantamento comparou a média salarial dos últimos 12 meses encerrados em maio à média dos doze meses anteriores, descontando da variação a inflação anual de 11,9%, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do IBGE.   

Entre as poucas exceções de profissões que conseguiram ganhar da inflação estão ocupações que tiveram alta nas contratações principalmente pelo impacto da pandemia de coronavírus, como as atividades ligadas às áreas de saúde, educação e tecnologia.  No topo do ranking, com ganho de 35,6% acima da inflação em 1 ano, está o médico clínico, cujo salário médio de contratação nos últimos 12 meses até maio foi de R$ 10.833,65. O grupo das ocupações com valorização inclui também professores, profissionais de TI e de gestão de estoques e vendas.   

Profissões com ganhos reais

1Analista de desenvolvimento de sistemas6 8051,1%
2Controlador de entrada e saída na indústria2 3418%
3Costureiro na confecção em série1 4800,6%
4Estoquista1 7803,2%
5Gerente comercial4 8331,2%
6Médico clínico10 83435,6%
7Professor de nível médio na educação infantil2 0022%
8Professor de nível médio no ensino fundamental3 32915,6%
9Professor de nível superior na educação infantil2 4024,9%
10Programador de sistemas de informação5 2962,2%
11Repositor de Mercadorias1 5870,5%
12Trabalhador no cultivo de árvores frutíferas1 3811,2%


No acumulado em 12 meses até março, 14 das 140 maiores profissões tiveram valorização do salário médio de contratação acima da inflação. Em abril, o número caiu para 8 e, em maio, subiu para 12. Ou seja, a queda do desemprego e a criação de vagas com carteira assinada nos últimos meses ainda não refletiu em uma melhora dos salários pagos para quem está em busca de um emprego

"O mercado de trabalho tem evoluído positivamente do ponto de vista do emprego, da geração de vagas e até mesmo da redução da taxa de desemprego. O grande problema, que afeta um grupo de pessoas mais amplo que o do desemprego, é a corrosão do rendimento real", afirma Fabio Bentes, economista da CNC, destacando que já são 10 meses seguidos com a inflação anual rodando acima dos dois dígitos.

Reportagem do G1 mostrou que o salário médio de contratação no país caiu 5,6% em 1 ano, considerando todas as profissões contabilizadas pelo Caged. Em maio, o salário médio real de admissão foi de R$ 1.898, contra um valor de R$ 2.010 em maio do ano passado, em valores corrigidos pelo INPC. 

Para Bentes, o ritmo lento de recuperação da economia e o universo de quase 11 milhões de desempregados também ajudam a explicar os salários iniciais mais achatados. "Uma taxa de desemprego perto de 10% não favorece ganhos reais no mercado de trabalho. Então são dois fatores combinados: inflação mais alta e uma demanda por emprego muito grande", diz o economista da CNC.

"Se a economia estivesse mais acelerada, seguramente as empresas iriam precisar mais de funcionários e iriam ter que pelo menos reajustar perto da inflação". 

Entre os profissionais já empregados também é pequena a parcela daqueles que têm conseguido ganhos reais. Outro levantamento, agora da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), mostrou que apenas 16,22% dos reajustes salariais negociados em acordos e em convenções coletivas nos últimos 12 meses até junho ficaram acima da inflação.

Profissões com maiores quedas no salário de contratação

1Pedreiro2 064-16%
2Motorista de ônibus urbano2 490-19%
3Motorista de ônibus rodoviário2 449-15%
4Garçom1 608-15%
5Fisioterapeuta geral3 050-14%
6Contínuo1 415-19%
7Carregador (veículo de transporte terrestre)1 913-15%
8Auxiliar de desenvolvimento infantil1 433-18%
9Atendente de lanchonete1 396-13%
10Agente de saúde pública1 986-14%
PUBLICIDADE