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Mulher procura a Polícia, desmente suposto estupro coletivo e diz estar sendo vítima de difamação

Leonardo Cabral em 11 de Junho de 2022

Suposto crime de estupro contra uma mulher, de 29 anos, publicado nas redes sociais nesta semana e que se espalhou por toda a cidade, não aconteceu. Foi o que garantiu a mulher, que teve até fotos expostas, e procurou a Polícia Civil para denunciar a fake news e pedir investigação do caso.

A titular da Delegacia de Atendimento à Mulher de Corumbá, delegada Tatiana Zyngier, foi procurada pela vítima, que por meio de mensagem de texto via aplicativo WhatsApp, lhe informou que estava sendo vítima de grave difamação, por meio de redes sociais.

Conforme relatado à delegada, a mulher deu entrada no pronto-socorro municipal, na madrugada do dia 07 de junho, com sangramento intenso, após ter tido relações sexuais com o namorado. Ela foi internada na Santa Casa e depois disso, começaram a circular nas redes sociais várias publicações, inclusive com fotos dela, que diziam que teria sofrido estupro coletivo, o que garantiu à delegada, jamais aconteceu. 

Os boatos se espalharam e passaram a ser um dos assuntos mais comentados na cidade. A mulher ainda relatou muita indignação, com o que chamou de falta de ética, de equipe da Santa Casa, porque, segundo ela, as falsas informações partiram após o atendimento recebido. 

A vítima, que ficou muito abalada com a situação, ainda disse que estava em recuperação e, apenas em razão disso, ainda não havia comparecido à Delegacia para registrar o boletim de ocorrência, oportunidade em que solicitou ajuda à delegada para a formalização do registro policial e investigação para identificar autor ou autores da fake news. O BO 2533/2022 foi registrado na 1ª Delegacia de Polícia Civil.

“Quando tivemos conhecimento dessas 'informações' se espalhando na cidade, procuramos a vítima, que estava em casa, em repouso, se recuperando. Ela informou que nada daquilo que estava circulando pelas redes sociais era verdadeiro. Que as lesões teriam acontecido em razão de uma relação sexual com o namorado dela e que isso teria sido exposto por funcionários do hospital de forma grave e mentirosa sobre a intimidade dela. Na verdade não houve crime de estupro, como relatado pela própria vítima, mas sim, uma grave difamação”, explicou a delegada ao Diário Corumbaense. 

“Essa difamação tomou uma proporção imensa, tanto é que envolveu nome de pessoas, como vereadores, pessoas conhecidas na sociedade de Corumbá, e, que, segundo relatos da vítima, não tiveram absolutamente nada a ver com isso, até mesmo porque, garantiu que nada disso aconteceu. Ela está extremamente abalada e vai buscar a reparação desse dano pelos meios legais”, completou a delegada, que deve intimar a equipe que estava de plantão naquela madrugada no hospital.

Procurado pela reportagem, Milton Carlos de Melo, presidente da Junta Interventora da Santa Casa, informou que até o momento, o hospital não foi notificado, mas garantiu que, “assim, que for, será apurado administrativamente o fato e os envolvidos serão punidos na forma da lei”.

É crime

O caso foi registrado como "difamação e injúria, se cometido na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou da injúria".

O artigo 154 do Código Penal, diz que é crime revelar alguém, sem justa causa, segredo, de que tem ciência em razão de função, ministério, ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem. Em caso de condenação judicial, a pena é de detenção de três meses a um ano ou multa.

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