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Durante investigação de homicídio, policiais resgatam casal em situação análoga à escravidão

Leonardo Cabral e Rosana Nunes em 16 de Maio de 2022

Divulgação/SIG Corumbá

Propriedade onde o casal foi resgatado nesta segunda (16)

Homem de 23 anos e mulher de 38 anos, foram resgatados na manhã desta segunda-feira (16) pela equipe do SIG (Setor de Investigações Gerais) da Polícia Civil de Corumbá, com apoio de policiais militares ambientais, após ser constatado que eles estavam trabalhando em situação semelhante à escravidãos, em uma propriedade rural que fica do outro lado do rio Paraguai.

O rancho pertence a um idoso de 63 anos, que junto com seus filhos, um de 33 e outro de 25 anos, foi detido e levado para a Delegacia de Polícia Civil. Conforme o boletim de ocorrência 2132/2022, os policiais chegaram até o casal durante investigação do assassinato de Josemar Gomes Aragão, de 37 anos. O corpo dele foi encontrado no rio, por pescadores, no dia 29 de abril.

No dia 12 de maio, os policiais estiveram na propriedade e viram as condições precárias de habitação e de trabalho. O casal relatou que trabalhava no rancho há pouco mais de dois meses e que havia combinado o valor de R$ 60,00 por hectare de terra roçada.

Porém, até aquele momento, os dois contaram que não receberam nenhum pagamento pelo trabalho realizado. Além disso, o casal já estaria com uma dívida de mais de R$ 2.000,00, junto ao patrão, pela alimentação que era fornecida por ele e pelos filhos. No primeiro mês, ambos dormiam no chiqueiro dos porcos, um local feito apenas de algumas tábuas de madeira, sem paredes ou piso, vulnerável a chuva, vento, frio, sol e entrada de animais.

Divulgação/SIG Corumbá

Cama de casal não tinha colchão, apenas de papelão, conforme imagem divulgada pela Polícia Civil

A equipe policial também constatou que a propriedade não tem água encanada ou sistema de filtragem (o casal bebia água do rio); não há banheiro, vaso sanitário ou chuveiro, "sendo as necessidades feitas no mato ou em uma bacia improvisada. O banho era com água do rio trazida em uma bacia", relata o registro policial.

Sobre a alimentação, as vítimas contaram que os filhos do patrão levavam comida, mas que era descontada, já estando a dívida em mais de R$ 2 mil. Eles também falaram que pela ausência de barco para transporte, dependiam totalmente dos patrões e que nem sempre forneciam o alimento necessário. Por este motivo, muitas vezes, se alimentavam de doações dos vizinhos.

Divulgação/SIG Corumbá

Vítimas já estariam "devendo" para patrão cerca de R$ 2 mil por fornecimento de alimentação

Foi afirmado ainda pelas vítimas que a Carteira de Trabalho jamais foi assinada e que o dono da propriedade tem um patrimônio de mais de mil cabeças de gado. 

Pai e os dois filhos foram presos em flagrante e vão passar por audiência de custódia, que vai definir se permanecerão presos ou se será arbitrada fiança pelo juízo para que respondam ao processo em liberdade. 

Eles foram autuados por “redução a condição análoga à de escravo”, cuja pena, em caso de condenação, varia de dois a oito anos de prisão.

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