Coluna Coisas da Língua, com Rosangela Villa (*) em 05 de Outubro de 2018

Domingo, dia 07, é o dia em que, no
exercício real de cidadania, decidiremos, com o nosso voto, os rumos do nosso
país e do nosso estado pelos próximos quatro anos. Assim, convém refletirmos
sobre a importância de eleições e votos na história política do Brasil, pois
mesmo depois da descoberta do país pelos portugueses, levamos alguns anos para
conquistar a nossa independência.
E, embora em 1532 já houvesse um
início de processo eleitoral com a organização política das vilas de São
Vicente e de São Paulo (Piratininga, na época), somente no século XIX, em 1891,
é que tivemos o nosso primeiro presidente eleito, embora não por eleições
diretas. Antes disso, porém, com a outorga da Constituição Brasileira por Dom
Pedro I, em 1824, foram definidas as primeiras regras para escolha dos
governantes a nível nacional, e a criação da Assembleia Geral, composta pelo
Senado e Câmara dos Deputados. E com a Proclamação da República, em 15 de
novembro de 1889, foi instaurado um Governo Provisório, assumindo o posto de
Presidente o proclamador da República, Deodoro da Fonseca. Tendo sido,
posteriormente, eleito presidente, em 1891, com respaldo da Constituição, sendo
o seu vice o Marechal Floriano Vieira Peixoto. Naquela época, os candidatos
podiam concorrer aos dois cargos, separadamente, e ao mesmo tempo, foi o que
fez Floriano Peixoto. Mas, até então, somente os homens podiam votar.
Nessa trajetória, o voto da mulher
foi legitimado só em 1932, no Governo de Getúlio Vargas, após muitas reivindicações
e lutas. Contudo, o voto era permitido apenas para mulheres casadas, com a
autorização dos maridos, e às viúvas e solteiras, que tivessem renda própria.
Sendo essas restrições banidas do Código Eleitoral em 1934. Entretanto, havia
mais um diferencial, o voto era obrigatório somente para os homens, apenas em
1946 a obrigatoriedade se estendeu às mulheres. De lá pra cá, muita coisa
mudou. E, após um longo período, em que os militares comandaram o país, de
1964-1985, não houve eleições diretas para presidente, apenas para vereadores,
deputados, senadores, prefeitos e governadores.
Mas, em 1989, tivemos eleições diretas para presidente, sendo eleito Tancredo Neves. A mais recente conquista no setor político foi quando, em 1997, a Lei nº 9.504 assegurou o direito das mulheres preencherem 30% das vagas a cargos políticos dos partidos. Porém, o mais importante nisso tudo, é o seu direito de votar, direito e dever ao mesmo tempo, e esse é o motivo que nos trouxe aqui hoje, pois o exercício livre de cidadania deve ser assegurado e respeitado por todos. Por isso, vá votar, não fique de fora das eleições, pois, com certeza, o seu voto fará diferença no resultado. Bom fim de semana.
(*) Rosangela Villa é professora associada da UFMS e colaboradora do Diário Corumbaense.